José Queid Tufaile Huaixan

Sabemos que a obsessão espirítica sempre esteve presente na vida do homem na Terra. Hoje, dado ao crescimento da humanidade e aos inúmeros problemas sociais que enfrenta o mundo, a obsessão torna-se verdadeiro flagelo. A ciência humana ainda reluta em aceitar os princípios espíritas e, por isso, deixa de curar inúmeros pacientes que a procuram, vitimados por desequilíbrios emocionais e psicológicos.

O Espiritismo ainda continua sendo a principal saída para a cura desta patologia. Em face disso, nós trabalhadores da causa espírita, temos que nos esforçar para termos um melhor conhecimento das causas da obsessão e dos métodos que poderão levar ao alívio e cura daqueles que batem às nossas portas.

A prática do Espiritismo passa por um período onde sua produtividade, a nível espiritual, deixa muito a desejar. Sabemos ser custoso reconhecer isto, mas é uma realidade difícil de ser questionada. Nunca estamos dispostos a avaliar nossos métodos de trabalho para termos idéia se estamos produzindo bem.

Na maioria das vezes, achamos que tudo o que fazemos está de acordo com a vontade do Alto. Um simples controle dos tratamentos na casa espírita pode deixar às claras sua verdadeira situação produtiva. Se o rendimento for baixo é preciso mudar, aperfeiçoar as atividades mediúnicas para que cumpram com sua finalidade.

Muito se tem escrito sobre a obsessão, mas a maioria destes trabalhos quase pouco tem a ver com a prática da casa espírita. De modo geral, as obras são repetitivas, compiladas uma das outras, não trazendo nada de novo. Um dos mais constantes obstáculos para a cura da obsessão é a dificuldade que se tem para identificá-la. Freqüentemente, a obsessão é confundida com uma simples influência ou com mediunidade a ser desenvolvida. É mais ou menos como confundir resfriado com tuberculose, ou prescrever para a cura de uma enfermidade, que o paciente estude medicina. Tudo isso é agravado por causa da ausência de métodos de tratamento. O que temos são orientações em linhas gerais. A maioria dos centros desenvolve sua própria metodologia, segundo a interpretação que cada um dá aos livros. Isso enfraquece sobremaneira os resultados e deixa as práticas envoltas numa miscelânea.

Definindo a obsessão

A obsessão é o domínio que alguns Espíritos inferiores adquirem sobre certos tipos de pessoas. Esta é uma definição básica daquilo que é a obsessão. Quando a influência de um espírito inferior sobre alguém se torna constante, podemos classificá-la como obsessão.

Os sintomas podem ir desde simples defeitos morais e alterações emocionais, passar pela dominação física, chegando até a completa desagregação da normalidade psíquica.

Na obsessão há sempre um constrangimento; na influência natural, não. Esta última é passageira, a obsessão é insistente.

Nos processos de desajustes considerados obsessão, sempre vamos encontrar sinais que podem caracterizar o fenômeno:

  • sonhos ruins,
  • pesadelos freqüentes,
  • indução ao vício,
  • mundanismo,
  • instintos de agressividade além do normal,
  • idéia de abandono da vida social ou familiar,
  • idéias de suicídio,
  • ruídos estranhos à volta do paciente,
  • freqüente visão de vultos,
  • impressão de ouvir vozes.

Os Espíritos envolvidos são sempre Espíritos maus ou ignorantes.

Nas influências naturais, geralmente as entidades envolvidas são Espíritos sofredores ou ignorantes. Na obsessão sempre existe uma insistência de um espírito em fazer algo de ruim com o paciente. Há uma pressão quase que constante de uma criatura sobre a outra.

Características da obsessão

A obsessão, como veremos adiante, possui diversas causas. Kardec, além de nos dar clara explicação sobre isso, classificou este fenômeno segundo certas características que nos facilita entender a gravidade do caso em exame.

Ensinava o Codificador, que a obsessão poderia se manifestar de diversas formas, classificando-as assim:

  • obsessão simples
  • subjugação
  • fascinação

É mais ou menos como ter o simples resfriado, uma gripe e uma tuberculose.

Na obsessão simples: há um constrangimento bem limitado da vontade do obsedado. O Espírito mau não domina as faculdades psíquicas em profundidade. É uma espécie de incômodo para a pessoa obsedada.

Na subjugação: ocorre um domínio muito intenso das faculdades morais e do próprio corpo físico, provocando as crises conhecidas popularmente como possessão. A influência inicia-se à nível moral, depois evolui para o domínio fluídico perispiritual e por extensão chega ao corpo físico. Então, temos as crises.

Na fascinação: há uma ilusão profunda que afeta as faculdades mentais, fazendo com que o obsedado não se julgue como tal. O Espírito o engana e a fraqueza do doente é explorada. O orgulho é sua perdição. Todos os fascinados são muito orgulhosos.

Allan Kardec diz no Evangelho Segundo o Espiritismo que a fascinação é bem mais grave do que a pior das subjugações. Quem já teve a oportunidade de lidar com um fascinado, sabe o que o Mestre lionês queria dizer.

Fascinação em grupos

Chamamos a atenção para o fato de que um grupo espírita pode cair por completo sob o domínio de Espíritos fascinadores. Daí, a necessidade da vigilância e de se ter na vida administrativa da casa, normas bem definidas de trabalho e conduta. A obsessão pode se desenvolver de forma epidêmica, junto a um grupo, a uma família ou uma sociedade. Pode ser desenvolvida por mais de um Espírito mau.

Os envolvidos na obsessão

Em todos os casos de obsessão, temos o obsedado e o obsessor. Existe uma variedade de situações de dominação na patologia obsessiva. Vamos citá-las para que o método de tratamento a ser desenvolvido se dirija diretamente ao alvo, ou seja, ao causador do mal e ao prejudicado. Sem identificar com clareza os envolvidos, não há como curar a obsessão de forma definitiva.

Podemos ter os seguintes casos de envolvimento obsessivo:

  • desencarnado para encarnado
  • encarnado para desencarnado
  • desencarnado para desencarnado
  • encarnado para encarnado
  • auto-obsessão

Causas da obsessão

É de vital importância para a cura da obsessão, descobrirmos as causas que levaram o obsedado a cair sob o domínio do Espírito obsessor. Sabemos, através de Kardec, que no pano de fundo de todas as obsessões está a fraqueza moral, ou seja, as imperfeições da alma.

Assim também o é com as enfermidades do corpo físico: quando as doenças se instalam no organismo de alguém, isto se dá em face de uma fraqueza orgânica. É necessário que o médico examine o caso de modo a descobrir o que facilitou a presença da enfermidade. Na obsessão, temos que proceder com metodologia semelhante.

As causas dos distúrbios obsessivos são variadas. Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, classificamos as causas da obsessão como sendo originárias de quatro fontes distintas:

  • moral
  • cármica
  • contaminações
  • auto-obsessão

Causa moral

Na causa moral, encontramos as imperfeições morais do Espírito encarnado dominando sua vida psíquica. A má conduta atrai maus Espíritos que se afinizam com o encarnado.

Depois da fase de sintonia, inicia-se um delicado processo de interinfluenciação, onde as vontades e desejos são trocados. Mais tarde, a vontade do encarnado será gradualmente substituída pela do desencarnado, instalando-se a obsessão moral, também denominada vampirismo.

Causa cármica

Na causa cármica, há o comprometimento do encarnado com criaturas com a quem fez mal em outras vidas, gerando ódio e desejos de vingança. A lei de causa e efeito regula estes processos de ajustes entre os envolvidos. O comprometimento do passado facilita os laços que unem o Espírito desencarnado ao paciente. Em linhas gerais, sua ação têm início com uma sutil influenciação sobre o encarnado. Logo após a fase da infância, começa a complicar-se, vindo com os anos a instalar-se a obsessão. Varia de intensidade, segundo a gravidade dos dramas.

Contaminações

Nas contaminações, encontramos perturbações que são produto do envolvimento de pessoas com os entidades atrasadas que trabalham em terreiros primitivos e seitas estranhas. Estas entidades do baixo mundo espiritual envolvem psicologicamente aqueles que se põem sob suas orientações, acabando por obsediá-las ou fasciná-las. Nos terreiros primitivos, há quem solicite ao invisível ajuda material e que atenda todo tipo de interesses terrenos.

Não tarda a se formarem entre o encarnado e as entidades atrasadas poderosos vínculos magnéticos. Instalam profunda desarmonia na vida emocional e mesmo material dos envolvidos. Esta influência nem sempre cessa pelo simples afastamento do ambiente em questão. Achamos importante citar que as contaminações são mais frequentes do que se imagina. Em nossa região, são quase 40% dos casos examinados.

Queremos deixar claro que as contaminações ocorrem também junto aos centros espíritas mal orientados, onde adeptos sem nenhum preparo são colocados no relacionamento com os Espíritos.

Grupos dominados por maus Espíritos são verdadeiros focos de contaminação espiritual, de onde deve-se afastar.

Auto-obsessão

Na auto-obsessão, encontramos uma condição doentia da mente, onde o encarnado atormenta a si próprio. As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente. Espíritos atrasados ou doentios podem ser vistos associados a esses casos, mas estão ali devido à sintonia mental com o enfermo. Não são causa, mas sim efeitos. Na auto-obsessão, a mente se fecha em si mesma e a psicoterapia terrena pode ser utilizada associada à terapia espírita.

Método de tratamento

O tratamento da obsessão vem sendo prejudicado pela interpretação errônea dos conhecimentos espíritas. Um conceito que tem contribuído para o fracasso do combate à obsessão é a idéia de que a Doutrina Espírita é uma espécie de panacéia, remédio capaz de por si só resolver os problemas alheios. Hoje, temos casas espíritas que, ao depararem-se com um obsedado, tomam como primeira medida colocá-lo num curso de estudo doutrinário. Afirmam que o estudo da doutrina modificará o encarnado e, por consequência, o desencarnado dele se afastará. Teoricamente o raciocínio é certo, só que na variedade dos casos encontrados, tal método resolve tão só as obsessões mais simples. Não pode ser aplicado como regra geral.

Muitos enfermos são incapazes de compreenderem os princípios da Doutrina Espírita. Ficam confusos, ou porque ainda são Espíritos pouco adiantados ou porque não possuem esclarecimento suficiente para o aprendizado. Prosseguem obsedados por anos a fio, cheios de esperanças de que um dia ficarão curados. E a cura pode acabar não acontecendo, simplesmente por causa da equipe responsável pelo centro, que não fez sua parte de agir sobre o obsessor.

Kardec quem ensina: obsessão se trata agindo sobre o encarnado e o desencarnado.

Podemos ficar em nossos agrupamentos espíritas, certos de que tudo vai bem com os tratamentos.

Realmente tudo pode estar correndo às mil maravilhas, porém, sempre existe a possibilidade de estarmos enganados, e de termos nos colocado na improdutividade sem nos darmos conta disso. Na prática do Espiritismo as ilusões acontecem com maior freqüência do que se supõe. Assim, convém que, vez por outra, coloquemos nossas práticas ao exame da razão.

O que vamos descrever abaixo, em termos de tratamento, nada tem de rígido. É um método que, em nossa experiência espírita, vem apresentando bons resultados. A finalidade de sua exposição é a de oferecer idéias que poderão ser modificadas e adaptadas de acordo com as condições de cada sociedade.

O método

Fazer as coisas com método significa utilizar-se de princípios lógicos e racionais para se chegar a resultados desejados. No caso da obsessão, se é que não temos um método de tratamento, devemos trabalhar para criarmos um. De outro modo, sempre estaremos esperando que os obsedados fiquem bons, de acordo com a vontade divina.

Uma vez mais, citaremos o caso das doenças físicas. Quando alguém está enfermo e procura a ajuda de um médico, sabemos que este profissional, num primeiro plano, coleta as informações primárias do caso, dialogando com seu paciente. Com isso, começa a se posicionar racionalmente para o diagnóstico final.

Depois, realiza uma série de exames visando confirmar suas suspeitas clínicas.

Mais adiante, prescreve a medicação destinada a fazer desaparecer a enfermidade.

  • Coleta de informações
  • Pesquisa
  • Tratamento

A princípio, parece que se trata de um procedimento simples. Mas, quem esta habituado com o assunto, sabe que existem inúmeras particularidades que podem alterar a direção de um tratamento e fazer com que, de um paciente para outro, sigam-se condutas um pouco diferentes entre si. O estudo de todas estas particularidades constitui-se na ciência médica.

No tratamento da obsessão, temos toda uma ciência particular, regida por leis espirituais que governam a metodologia de cura. Infelizmente, os trabalhadores de centros espíritas quase não levam nada disso em consideração. Acham que para se curar um obsedado, basta que este seja colocado a frequentar o centro; que leia o Evangelho e receba passes. Tudo parece simples, como a princípio achamos simples o médico curar o enfermo.

A cura da obsessão só parece simples, mas se formos nos dedicar a este ministério, estudando-o profundamente, vamos ver que a ciência espiritual apresenta detalhes que devem ser observados para o sucesso do tratamento.

Na diagnose e tratamento das doenças do corpo, temos quatro fases a seguir:

  • sintomas - exames
  • remédios
  • resultados

No tratamento da obsessão, podemos desenvolver um método semelhante, visto que o do corpo físico obedece à lógica inquestionável da ciência.

Sintomas

É a primeira fase do tratamento. Devemos saber quais os sintomas que o paciente apresenta, pois de outra forma não poderemos saber se tem um problema de ordem física, que esteja sendo confundido com obsessão. Existem perguntas básicas (como na ciência médica) que devem ser feitas: quando começou o problema? O paciente já teve crises convulsivas? Fez eletroencefalograma? Bebe? É viciado em drogas? Já esteve envolvido com terreiros primitivos ou desenvolvendo mediunidade? Qual a idade do paciente, seu endereço etc.

Tudo isso deve ser anotado numa ficha. Não se deve confiar na nossa capacidade de lembrar, nem deixar nas mãos dos nossos guias o problema do obsedado, para que eles o solucionem. Em desobsessão, cada um faz a parte que lhe cabe.

Exames mediúnicos

Trata-se da segunda fase. Devemos examinar o paciente. Em ciência espírita isso significa submetê-lo à influência de um médium, para que este possa emitir um parecer sobre o caso. O médium é o aparelho de exames.

Este exame pode ser feito de duas formas:

  • Através de evocações particulares, feitas em nome do paciente,
  • Por meio de um vidente de faculdade comprovada.

É importante que os médiuns usados nestes exames saibam o mínimo possível a respeito do caso. Isto dará ao responsável pelos tratamentos a possibilidade de aferir o rendimento mediúnico da equipe, confrontando-o com apontamentos feitos na entrevista.

Tratamento

É a terceira fase. Se os efeitos apresentados na obsessão são intensos e o caso tem caracteres de gravidade, convém que o trabalho de evocação seja desenvolvido por algumas semanas seguidas, em reuniões particulares, de modo a pesquisar causas e agir moralmente sobre o obsessor.

Em todos estes procedimentos, o paciente não precisa estar presente, a não ser na entrevista para a coleta de informações e no exame do médium vidente.

Caso os efeitos sejam os de uma obsessão simples, atuando mais como um incômodo, basta que o paciente seja submetido às sessões de passes nas reuniões públicas, recebendo ali a fluidoterapia normal e a doutrinação feita pela explanação evangélica. Isso, geralmente, é suficiente para que os sintomas desapareçam.

Resultados

Quarta e última fase. Por último, uma nova entrevista fornecerá os resultados a respeito da situação do paciente. Se os sintomas regrediram, é sinal que se está a caminho da cura. Se não houver melhora ou mesmo houver piora, devemos empreender nova pesquisa para coletar mais informações: novo diálogo; novo exame; novo tratamento e nova aferição de resultados.

Na desobsessão, devemos levar em conta que desobsediar alguém é lutar contra um espírito mau e precisamos estar convenientemente preparados para isso. Se não procedermos com cautela, poderemos estar correndo o risco de perder a luta e, inclusive, ficarmos obsedados, tentando fazer desobsessão.

A reunião mediúnica

A reunião mediúnica é a base na qual se fundamenta a recuperação do obsedado. Ele não deve participar dela, nem ser usado como médium de seu obsessor, como se faz em alguns núcleos. Nesses trabalhos íntimos, reúnem-se pessoas sérias, dispostas a trabalharem pelo alívio das misérias dos que caíram presas da obsessão. Estão ali homens e Espíritos, unidos pelo amor ao bem comum, desenvolvendo seus métodos de trabalho com o intento de auxiliarem os sofredores. O Livro dos Médiuns é um poderoso guia capaz de fornecer informações seguras de como se lidar com as evocações para tratamento de obsessões.

Alguns fatores devem ser considerados quando vamos formar uma equipe para desobsessão.

  • O número de participantes, que nunca deve ser excessivo. Os grupos pequenos realizam os melhores trabalhos; as condições morais do grupo devem ser acima da média comum.
  • Vícios e hábitos grosseiros devem ser combatidos.
  • A mediunidade em desobsessão tem que ser praticada de forma religiosa, como instruiu o Codificador.
  • Os pensamentos devem estar em uníssono, falando uma só língua, desejando um só fim. A desarmonia entre os membros da equipe prejudica a desobsessão e atrai para os participantes a obsessão;
  • Devemos contar com passistas e doutrinadores.
  • Por fim, a colaboração de um eficiente secretário, que à baixa luz anotará a evolução da situação espiritual em cada caso.

Certamente, cada casa espírita possui uma estrutura humana, e mesmo material, que nem sempre permite que um trabalho de desobsessão possa ser realizado na sua plenitude. Porém, quando a boa vontade e a seriedade estão presentes, bons resultados não faltarão.


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