Há cento e sessenta anos os homens receberam dos Espíritos Superiores e em cumprimento à promessa do Cristo, um maravilhoso presente que se aceito, poderia modificar suas vidas para sempre. Um Livro! Mas não era apenas um livro... Era O livro!

Tratava-se do O Livro dos Espíritos, um perfeito tratado de filosofia existencial, contendo os mais importantes princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a pluralidade dos mundos, a vida no mundo espiritual, sobre a destinação natural do homem, além de outros princípios, recebidos, ordenados e coordenados por Allan Kardec, o Codificador da Doutrina dos Espíritos.

A rapidez com que a Doutrina dos Espíritos se propagou e progrediu, até hoje nenhuma outra doutrina de caráter filosófico logrou alcançar. Entretanto, como toda ideia nova, ela angariou adversários ferozes, cuja ferocidade aumentava de forma diretamente proporcional ao crescimento vertiginoso do Espiritismo e angariou também, muitos adversários gratuitos, contumazes em ser, naturalmente, contrários a tudo quanto fosse novo.

Muitos, não lhe deram maior atenção, porque achavam que o Espiritismo não sobreviveria aos reiterados ataques que lhe eram desfechados e que aquela nova e estranha ideia, em breve estaria esquecida, soterrada pela força da Igreja. Enganaram-se.

Surpresos e até desorientados, viram-no crescer e propagar-se em todos os setores e níveis sociais, de forma pujante e insofismável, para assumir seu lugar entre as crenças existentes, levando seus adversários e os desinteressados, a alarmaram-se seriamente.

Se até aquele momento o Espiritismo havia sido o alvo predileto de galhofeiros de plantão, que riam de tudo, sobretudo daquilo que não compreendiam, o mesmo não se poderia dizer daqueles que não se limitavam ao sarcasmo e olhavam-no com verdadeiro ódio, sinal evidente e caracterizador da sua importância.

A constatação de que o Espiritismo chegara para ficar, fez com que os ataques se tornassem muito mais violentos e irascíveis, através de sermões ferozes bravejados dos púlpitos seculares, anátemas levianos, excomunhões espúrias, livros caluniadores, perseguições pessoais, artigos virulentos nos jornais, etc.

Entretanto, o maior problema que os detratores do Espiritismo encontraram, foi a sua lógica irrefutável, a evidente racionalidade, e o respeito à inteligência dos homens, haja vista que ao invés de exigir que eles aceitassem os dogmas – a fé sem prova – que lhes eram impostos, o Espiritismo exortava os homens a raciocinarem, a passar tudo pelo crivo da razão!

Em irrefreável desespero, viam O Livro dos Espíritos ensinar e com coerência, que Jesus não era Deus, que o inferno era um estado de espírito, que havia outros mundos habitados, que o demônio, cuja existência ajudava a encher os cofres por conta de indulgências e, como “suprema blasfêmia”, ousava dizer que ao invés do “fora da igreja não há salvação” o mais sensato e conforme aos ensinamentos do mestre Jesus, era o “fora da caridade não há salvação”!

Um outro obstáculo terrível, que enervava seus inimigos, ao ponto deles queimarem em Barcelona uma enorme quantidade de livros espíritas, na maior propaganda que o Espiritismo já teve por parte dos seus desafetos, era seu tríplice caráter. Ficava claro que a Doutrina dos Espíritos, além de ser uma exuberante filosofia de caráter universal, que conclamava os homens a uma necessária e indispensável reforma íntima – única forma de se iniciar uma aproximação com o Pai, – ela evidenciava ser uma filosofia que se apoiava em fortes alicerces científicos e com inebriantes e maravilhosas consequências religiosas!

Assim, para angústia doentia dos seus detratores, a “Doutrina dos Mortos”, cuja existência oficial foi marcada pelo advento do O Livro dos Espíritos, estava perfeitamente caracterizada como filosofia, ciência e religião!

Hoje, passados mais de cento e cinquenta anos, a luta continua embora menos ferrenha e o Espiritismo que não impõe, mas que procura conscientizar, é uma religião de homens livres, porque ensina que o homem só é verdadeiramente livre quando consegue libertar-se dos preconceitos, do egoísmo arraigado, do orgulho extremado, da maledicência, do fanatismo, etc.

A Doutrina dos Espíritos liberta porque conscientiza o homem, ensinando-lhe o continuado exercício da tolerância, do amor ao próximo, da solidariedade entre todos os homens e os predispõe à prática da caridade incondicional, sem ser apático, acomodado e passivo diante da vida.

O Espiritismo, a partir do O Livro dos Espíritos e depois com os demais livros da Codificação, é incomparável no esclarecimento do homem, não para temer a Deus, mas para amá-Lo, apontando-lhe o caminho a ser seguido, provavelmente não o mais fácil, mas sem dúvida, o mais aconselhável, porque é o que nos levará ao nosso destino evolutivo.

Os homens, envoltos em dogmas e imposições, viviam mergulhados em sombrias e angustiantes dúvidas, até a chegada do O Livro dos Espíritos, que esclareceu e explicou de forma inteligente e racional, o porquê vivemos, amamos, sofremos, o que somos, de onde viemos, para onde vamos e o que seremos. Explica também porque nossos destinos são aparentemente desiguais. Porque uns têm tudo e outros nada! Assim, desfeitas todas as dúvidas e angústias, provou ser o grande Consolador que Jesus havia prometido!

Entretanto, infelizmente, sob o título de modernidade e no outro extremo, de manter a pureza doutrinária, erros são cometidos e golpes desferidos na Doutrina Espírita. É aí que se faz necessário e importante exercer uma das maiores virtudes que o Codificador mostrou e demonstrou no seu missionário trajeto na Terra: Bom senso!

O Espiritismo, no seu aspecto científico, precisará sempre se modernizar e adequar-se à época vivida, pois como o próprio Kardec asseverou, o Espiritismo é dinâmico e precisa ombrear-se à ciência. Entretanto, quanto aos seus aspectos filosófico e principalmente religioso, faz-se necessário que se mantenha fiel aos seus preceitos lógicos, racionais, alicerçados sempre em pilares basilares, como fé, esperança e caridade, capitaneados pelo maior dos sentimentos, o amor!

No aniversário do O Livro dos Espíritos é chegado o momento de retribuirmos e a melhor forma de fazer isso é enfatizando e praticando o maravilhoso “fazer aos outros os que gostaríamos que nos fosse feito”.

Mas como? Perguntarão os indecisos.
Além de efetuar de forma definitiva, a nossa reforma íntima, vamos, dentro das nossas infinitas limitações, autonomear-nos guardiões do Livro dos Espíritos, pois as ameaças ao Espiritismo, já não são tão grosseiras, rudes, espalhafatosas. Elas mudaram. São sutis, enganadoras, envolventes, sedutoras e muitas vezes não estão ocultas nas sombras. Estão ao nosso lado porque a tática dos irmãos trevosos mudou. Não mais pensam em explodir as Casas Espíritas. Planejam implodi-las!

É sabido que arquitetos das sombras se reúnem em seminários, congressos e debates, buscando achar meios mais eficazes para debilitar o Espiritismo. É sabido que há muito tempo que esses irmãos ainda presos nas teias da cruel ignorância ou alimentados por um terrível e cego ódio, tentam infiltrar-se nas fileiras espíritas.

Se assim é, como defender o Espiritismo? Não é difícil. Ao invés de perder um tempo precioso discutindo sobre o corpo fluídico ou não de Jesus, seus milagres, a virgindade de Maria, a “Santíssima Trindade”, sobre o suposto casamento de Jesus com Madalena e se Chico Xavier é a encarnação de Kardec, que tal nos preocuparmos mais em matar o “homem velho” que nos atrasa a trajetória evolutiva e iniciar de vez a nossa reforma pessoal?

Até porque sabemos que se tais dúvidas fossem solucionadas, em que isso mudaria a força da mensagem exemplificadora do Mestre Jesus ou aumentaria ou tiraria o brilho de Allan Kardec, o grande codificador ou do maravilhoso trabalho do Chico Xavier, a maior antena mediúnica da Terra no último século?

Vamos respeitar o aniversariante e parar com polêmicas inócuas, porque o mais importante nós já sabemos: Que Jesus cumpriu a sua missão, que sua imponente igreja foi o campo aberto; seu riquíssimo altar, uma pedra à beira da estrada; seu luxuoso travesseiro, um tronco; seu belo manto, uma túnica grossa gasta nas viagens e concluiu sua incomparável obra, quando aceitou ser coroado... De espinhos!

Sabemos também que Allan Kardec, o “bom senso encarnado” também obteve êxito total no encargo recebido, ao nos legar o incomparável Pentateuco Kardequiano, codificado e pronto para consumo! Que Chico Xavier, na sua hercúlea missão psicográfica, deixou-nos um maravilhoso legado de mais de quatrocentos livros, ao mesmo tempo em que exemplificou por quase cem anos, uma linda e viva lição da mais pura humildade!

É hora de nós espíritas fazermos a nossa parte: Reunir forças e esforços para coesos, lutar pela manutenção da pureza doutrinária do Espiritismo, sem que isso signifique imobilismo ou engessamento, pois não podemos vedar olhos e ouvidos ao progresso que com certeza o Espiritismo terá que encarar, como ciência, que verdadeiramente é.

É hora de retribuir e de presentear o aniversariante que não é apenas O Livro dos Espíritos, mas o próprio Espiritismo.
Qual seria o melhor presente? Alguém teria alguma sugestão?

Bem, eu acredito não existir nada melhor e mais representativo do que presentear alguém com um exemplar do... O Livro dos Espíritos!


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