Você já se deu conta dos desdobramentos do remorso? A própria definição da palavra já indica censura a gesto, ato ou comportamento que não deveríamos ter feito ou adotado na conduta própria, com relação a nós mesmos ou com terceiros.

Isso se transforma num fogo devorador da paz e da tranqüilidade. Sentimo-nos acusados por nós mesmos, perseguidos por uma sensação dolorosa de culpa ou desconforto moral. Pode-se, pois, dizer, que é um tormento ou inferno interior.

Nas crenças antigas, inferno seria a morada dos mortos acusados de transgressão às leis, tanto humanas quanto às precárias interpretações das leis divinas.


Felizmente essa visão incoerente já cedeu lugar a uma mentalidade mais esclarecida sobre a sabedoria e grandeza de Deus que, de forma alguma, se iguala às nossas comparações infantis. Deus é perfeita bondade, justiça e sabedoria e não poderia condenar ao sofrimento eterno seus próprios filhos que se encontram em estágios diferentes de aprendizados. Aliás, a própria figura do chamado diabo é hoje personagem em total descrédito, até mesmo pelo absurdo de sua concepção e existência.

Muito mais lógico entender que Deus ama seus filhos e lhes renova as oportunidades de aprendizado e de reparação dos próprios equívocos.

O chamado inferno é um estado consciencial. Surge dos desajustes dos sentimentos. Não há lógica aceitar-se um local determinado para promover o sofrimento. Este, na verdade, é antes conseqüência de nossas atitudes e nunca castigo. Deus não castiga, mas estabeleceu leis sábias que corrigem, também através da dor.

Então, vençamos medo ou ilusões. O único inferno existente é mesmo o remorso. Sim, o arrependimento pelas lesões que causamos em nós mesmos ou no próximo. Os prejuízos que provocamos, por vaidade, por crueldade, por indiferença ou omissão, por manipulações morais ou agressões de quaisquer ordens, levam-nos ao inferno interior que estará conosco até que nos reparemos perante a própria consciência.

Afinal, alguns centímetros de remorso pesam no coração muito mais que uma tonelada de sacrifícios, como afirma Emmanuel.

Melhor mesmo que vivamos de forma a não termos arrependimento no futuro, remorsos que nos paralisem ou nos tirem a tranqüilidade. Melhor que usemos antes o respeito.

Tais reflexões, em sentido oposto, cabem também para a questão do tema céu. O céu, igualmente, nada mais é do que um estado interior de paz e serenidade, de consciência tranqüila. Aliás, a paz de consciência é o único tesouro real, de autêntica felicidade, que podemos preservar a vida toda...

 


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