Este é o tema que será desenvolvido por Claudia Mandato Gelernter, da cidade de Vinhedo, no Seminário “Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir Sempre – Tal é a Lei.”, que será realizado na cidade de Itu no dia 29.10 (sábado), a partir das 14:00.

Para conhecer mais sobre o assunto que é considerado um tabu entres todos, o Instituto Chico Xavier, entrevistou Claudia Mandato Gelernter, especialista em Tanatologia, pela USP – faculdade de Medicina, junto à equipe do Dr. Franklin Santos.

Para se inscrever no Seminário “Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir Sempre – Tal é a Lei”, acessem nosso site www.institutochicoxavier.com

 

  1. O que é Tanatologia?

R. Tanatologia é a ciência da vida e da morte que visa humanizar o atendimento aos que estão sofrendo perdas graves. O tema morte é um tabu no Ocidente. Muitos sentem dificuldade em discutir este assunto – embora seja a única certeza comum de todos – pois isso gera angústia, medo, incertezas. É como se a morte fosse um fracasso, um erro que deve ser escondido, abafado.

Além disso, tratar do tema “morte”, não se resume à perda do corpo físico, mas se refere a todas as perdas que ocorrem em nossas vidas, sejam elas materiais ou emocionais e onde temos relação de afeto importante e que pode vir a acarretar lutos patológicos quando não forem bem elaborados.

 

 

  1. O que é luto natural?

R. No luto normal, não precisamos fazer interferência – a pessoa perde algo ou alguém, fica um tempo triste, sem motivações no mundo. Este processo é natural e pode levar até 05 anos para elaborarmos um luto, quando se trata de alguém muito significativo. Depois disso fica a saudade, que de certa forma, é o amor que fica; a pessoa consegue colocar seu amor em outras atividades, com outras pessoas.

 

  1. O que é luto patológico?

R. O luto patológico é quando a pessoa perde algo ou alguém e não dá conta de amenizar seu estado melancólico sozinha, de forma natural. Devido a sua constituição psíquica, a pessoa, diante da experiência da perda, tem um empobrecimento do ego, apresentando baixa auto-estima, tristeza constante, desmotivação, perda da capacidade de amar. Não dá conta de voltar para o mundo e recomeçar. Em alguns casos, pode-se chegar ao suicídio, por depressão melancólica.

 

  1. Como deve ser tratado o luto patológico pelos terapeutas?

R. Segundo Freud, muitas pessoas em quadro de melancolia não se dão conta que podem retornar suas vidas, de que são melhores do que estão avaliando, de que perderam algo, mas este algo não é ele mesmo, que podem tornar a amar. O trabalho do terapeuta será o de ajudar a pessoa a identificar o que realmente se perdeu e a partir daí, fortalecer o indivíduo no sentido de ele perceber a própria capacidade de colocar sua afetividade no mundo, começando por ele mesmo. Trata-se também de uma conscientização do não retorno do objeto amado e da busca de novas possibilidades a partir deste fechamento.

 

  1. Em quais casos a Tanatologia deve ser aplicada e discutida?

R. A Tanatologia pode e deve estar em tudo, pois a morte ocorre em todo canto, a todo momento, não sendo ela uma possibilidade, mas uma certeza.

Portanto, deve ser discutida nas escolas, nas famílias, nos hospitais, nas Casas Espíritas, etc. Onde exista o ser humano.

 

  1. Quem pode se especializar em Tanatologia?

R. Um profissional ligado a Tanatologia tem uma formação específica, seja ela acadêmica ou religiosa. Ele pode ser um médico, psicólogo, bibliotecário, pedagogo, escritor, espírita, padre, etc. O imprescindível é que conheça as questões ligadas à morte, que consiga dar o apoio necessário, dentro da área onde atua.

 

  1. Qual é o papel do tanatólogo (a)?

R. Tanatólogo (a) é aquele (a), que auxilia as pessoas que estão vivenciando processos de morte, com acolhimento, num atendimento humano e amoroso. Ele tanto pode atuar nas questões da preparação do corpo para o ritual de funeral, como também pode ser aquele que auxilia pessoas em processo de morte física, assim como seus familiares, através de suas “profissões de base” (médicos, psicólogos, enfermeiros, etc). Pode ser ainda aquele que atua dentro dos portões da religião que abraça, oferecendo apoio espiritual, psicológico de que estas pessoas tanto precisam neste grave momento.

 

  1. Que preparo tem os profissionais da saúde para lidar com a morte?

R. Nos dias de hoje, os cursos de formação dos profissionais da saúde não contemplam estudos sobre perdas num âmbito maior, preparando estas pessoas para darem conta destas perdas, assim como do emocional dos familiares. O lado psíquico do profissional é renegado, dando-se enorme ênfase ao conhecimento formal. Quando confrontados com situações complicados, não possuem ferramentas para darem conta destas situações.

 

  1. Quando se deve iniciar uma educação para a morte?

R. Acreditamos que, desde a infância o assunto morte, perdas, deve ser esclarecido, conversado, refletido, para que as pessoas possam vir a dar conta, mais tarde, das demandas que certamente surgirão.

 

  1. Como falar com nossas crianças sobre a morte?

R. Para responder a esta questão, preciso apoiar-me no fantástico trabalho da Dra Lucélia Paiva, em seu livro “A Arte de Falar da Morte Para Crianças”. A Psicóloga, especialista em Biblioterapia,comenta que precisamos utilizar de linguagem compatível com a idade, falando sempre a verdade e que para isso podemos utilizar de histórias infantis, nas quais os personagens [animais que conversam, objetos que tem vida, etc.] dramatizem uma situação de perda. Comenta a profissional que as crianças tendem a se identificarem com a história, diminuindo a ansiedade e abrindo brechas para uma conversa mais tranqüila com o adulto. Existem muitos livros indicados para esta tarefa, tais como o “Dona Saudade”, “Quando os dinossauros morrem”, “Quando seu animal de estimação morre”, etc. Sugiro a visita ao site da Dra Lucélia, no endereço http://www.luceliapaiva.psc.br/.

 

 

 

 

 

  1. Deixe suas últimas palavras aos nossos leitores sobre este assunto tão polêmico que é a morte.

R. A morte nada mais é do que uma nova chance que a vida nos traz. É uma porta pela qual precisamos passar para conseguirmos adentrar um novo ambiente, com novas possibilidades, essenciais ao nosso desenvolvimento.

Ela vem confirmar que o ciclo vai ser reiniciado, repleto de chances, de aprendizagens, de crescimento.

Aceitar a morte é aceitar, também, um novo começo. Quem não abre mão do velho, nega-se ao novo e, portanto, fecha-se para a própria evolução.

Atente que o mundo nos dá, incessantemente, exemplos sobre a necessidade da morte para a evolução de todos, desde o micro até o macro, quando nos traz aos olhos espantados os brotos das plantas [indicando a morte do estado de semente], os ciclos climáticos, as fases do desenvolvimento humano, a morte de estrelas, planetas, etc.

Aceitar as perdas é, finalmente, um ato de amor. Amor pelos que se foram, por estarem tendo novas oportunidades, pelos que ficam e podem aprender com estas perdas e por nós mesmos, uma vez que nos conscientizamos da função educativa que traz a morte em nossas vidas, mostrando-nos, incessantemente, que é preciso desapegar-se, crer e trabalhar por um mundo melhor, ao invés de nos apegarmos às coisas efêmeras...

Nada existe que não precise morrer para renascer melhor. E nada existe que não precise renascer para crescer, aprender e morrer... num ciclo quase interminável, até que atinjamos a perfeição relativa, gravitando em torno do Criador, como nos ensinou o Espírito Paulo, no final de O Livro dos Espíritos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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