Orson Peter Carrara

 

A conquista dessa notável virtude, normalmente confundida com falta de recursos materiais e com sentimento de inferioridade, requer alguns estágios, exercícios continuados e disposição real. Ela, a humildade, abre caminhos para conquista das demais virtudes. Daí a necessidade de empenho que possamos dedicar na busca desse ideal.

Para conquistá-la, é preciso alcançar a capacidade de verificar as próprias limitações, imperfeições morais e o quanto nos equivocamos nos caminhos diários, cometendo erros e nem sempre capazes dessa aceitação. Outro passo é vencer as tolas vaidades pessoais  e anularmos a velha tendência humana de desvalorizarmos esforços alheios. Afinal, convenhamos, quem somos nós, que autoridade ou competência detemos para diminuir ou discriminar alguém?

Aí já entramos no terreno dos julgamentos tão inapropriados e inconvenientes, comuns em nosso hábito humano e de tantos prejuízos. Como podemos julgar, emitir opiniões descabidas muitas vezes, se normalmente não conhecemos a realidade completa? Isso é no mínimo leviandade.

Em seguida vem a aceitação da realidade de cada um, que nos pede respeito às diferenças de todas as ordens, que traz consigo o exercício da tolerância e da paciência frente às dificuldades e realidades nem sempre compreendidas ou aceitas por nossa maneira de viver.

A humildade é extraordinária porque depois de vencidas essas etapas, o sentimento se dispõe, com naturalidade, a estender a mão sem julgamentos, condenações ou ideias preconcebidas.

Difícil, não é leitor? Sim, difícil mesmo. Exige disciplina, disposição, boa vontade.

Quem a conquista, porém, vive mais feliz e merece aplausos. Nesta luta árdua, diária, de vigilância em nós mesmos – ao invés de fiscalização do comportamento alheio – e empenho por melhorar-se moralmente, que constitui na verdade um DEVER MORAL, é que chegaremos a compreender melhor a vida e colaborar para que tudo flua melhor à nossa volta.

Afinal, se pensarmos bem, as violências todas que aí estão – inclusive a corrupção em todos os níveis – nada mais são que manifestações patentes do velho egoísmo humano, verdadeiro tumor maligno a corroer a sociedade humana e provocador de toda essa onda de infelicidade e intranquilidade. Filho do velho orgulho – talvez a mais difícil imperfeição moral que trazemos – o egoísmo é o gerador da infelicidade humana. Juntos, egoísmo e orgulho formam o verdadeiro opositor da mais extraordinárias das virtudes, a HUMILDADE, que é mãe da caridade, da esperança, da alegria, entre tantas outras virtudes.


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