O Portal do G1 realizou uma enquete na Câmara dos Deputados a  fim de saber qual a religião dos parlamentares.

Dos 414  deputados consultados, 309 se declararam católicos e 43  evangélicos. Os parlamentares que se declararam “espíritas”(!?)  foram 8.

Outros 13 disseram ser cristãos, mas não especificaram  se seguem uma religião.  

Oito se disseram agnósticos. Para nós, os  espíritas, esse quadro estatístico nada significa.

Por uma questão  muito elementar: “não há representantes oficiais do espiritismo  em setor algum da política humana", segundo André Luiz.     

A  Doutrina Espírita não estimula o engajamento em idéias e  políticas partidárias.

Não coloca sua tribuna a serviço da  propaganda política de candidatos, de partidos ou de movimentos  políticos.  Em que pese a idéia de que "o problema não é de como o espírita  entra na política, mas de como dela sai", o espírita, se estiver  vinculado a alguma agremiação partidária, se deseja concorrer  como candidato a cargo eletivo, tem total liberdade de ação, mas  que atue bem longe dos ambientes espíritas, para que tudo que  fizer ou disser, dentro da Instituição Espírita, não venha a ter uma  conotação de atitude de disfarçada intenção, visando conquistar os  votos de seus confrades.   

É inadmissível trazer para dentro dos Centros ou Instituições  Espíritas a política partidária, embora, como cidadão, cada  espírita tenha a liberdade de militar no universo fragmentado das  ideologias políticas. Mas o Espiritismo não é fragmento da  política partidária, e nem tampouco envolve-se com grupos  políticos sectários, que utilizam meios incoerentes com os fins de  poder.    

A política do legítimo espírita é a favor do ser humano e de seu  crescimento espiritual. Não se submete e não se omite diante do  poder político, e nem tampouco assume o lugar de oposição ou de  situação.   Elucida Emmanuel que "o discípulo sincero do  Evangelho não necessita respirar o clima da política  administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é  cometido.

O Governador da Terra, entre nós, para atender aos  objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os  interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de  portarias e decretos, respeitáveis, embora".   A rigor, "iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas  cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da  compreensão normal dos homens encarnados."  

Por isso  mesmo, sabem à saciedade que "a missão da doutrina é consolar e  instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas  possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar  no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque  todas as organizações humanas são passageiras em face da  necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei  do progresso universal."    

Se o mundo gira em função de políticas econômicas,  administrativas e sociais, não há como tolerar militância política  dentro das hostes espíritas. Os Benfeitores espirituais nos  advertem que não se sustentam as teses simplistas de que só com  a nossa participação efetiva nos processos políticos ao nosso  alcance ajudaremos a melhorar o mundo.  

Recordemos que Jesus  cogitou muito da melhora da criatura em si. Não nos consta que  Ele tivesse aberto qualquer processo político-partidário contra o  poder constituído à época. Nossa conduta apolítica não deve ser  encarada como conformismo.

Pelo contrário, essa atitude é  sinonímia de paciência operosa, que trabalha sempre para  melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a  responsabilidade da administração de nossos interesses públicos.  É importante lembrarmos que, nas pequeninas concessões, vamos  descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Por isso  mesmo urge que façamos uma profunda distinção entre  Espiritismo e Política. Somos políticos desde que nascemos e  vivemos em sociedade.    

Isso é real, porém a Doutrina Espírita não  poderá, jamais, ser veículo de especulação das ambições pessoais,  nesse campo.   

Pela transformação do comportamento individual, lutando pelo  ideal do bem , em nome do Evangelho, os espíritas não estão  alheios à Política; engana-se quem pensa o contrário.   Os espiritas  honestos, fieis à família, aos compromissos morais, são  integralmente cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou  obrigação (depende do ponto de vista) de votar, porém sem  vínculos com as querelas e questiúnculas partidárias.     

O Espiritismo não pactua com irrelevantes e transitórios  interesses terrenos. Estamos investidos de compromisso mais  imediato, ao invés de mergulharmos no mundo da política  saturada por equívocos lamentáveis.      

Referência bibliográficas:
(1) VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10
(2) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 59
(3) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 60
(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60   Por: Jorge Hessen    
FONTE: http://jorgehessen.net


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