Paulo Figueiredo, conhecido ator e diretor de novelas e peças teatrais, comenta sua atuação como roteirista e diretor no próximo lançamento cinematográfico E A Vida Continua..., com base na mesma obra editada pela FEB.

Reformador: Qual foi sua motivação para introduzir temas espíritas em teatro, televisão e cinema?

Paulo Figueiredo: Um dos principais motivos é a conhecida influência que essas mídias exercem sobre o grande público. Televisão, cinema, teatro, acredito que nessa ordem, são poderosos modificadores sociais. A moda, o falar, o gestual, a discussão sobre temas do momento sofrem alterações em ritmo impressionante, mais ainda na população jovem. Utilizado, em sua maior parte, para expor publicamente o que o ser humano carrega de vergonhoso na bagagem de vícios, em sua peregrinação pelo Planeta, esse imenso poder de comunicação e sedução parece estar, quase que inteiramente, a serviço de lideranças espirituais suspeitas. Mostram na tela ou no palco a face espúria dos personagens, a maldade, a violência vingada sem a contrapartida do perdão, do resgate, dos mais nobres sentimentos humanos, da evolução espiritual, enfim. Isso é trabalho inútil, improdutivo. Entendo que, se levarmos para a tela ou para o palco histórias de superação, de vitória sobre o erro, podemos até não atingir multidões, mas boa parte dela terá o que pensar minutos antes de dormir. E A Vida Continua... foi transposto da literatura para o cinema e a TV com o fim de usar tais meios de comunicação para veicular ideias e conceitos exemplares.

 

 

Reformador: E como surgiu a ideia de produzir o filme E A Vida Continua...?

Paulo Figueiredo: Recentemente, por volta de 2004, tive o prazer de conhecer e privar da amizade de um homem chamado Oceano Vieira de Melo, historiador, documentarista, muito dedicado a estudos profundos do Espiritismo e de seus mais célebres expoentes.

Afinidades e objetivos comuns vieram à tona levando-nos a unir experiências profissionais e vivências do cotidiano com a velha vontade de ajudar, através do cinema, na divulgação de histórias sempre tão atuais, dessas que impressionam e ao mesmo tempo levam à reflexão, sobre questões em geral muito próximas do dia a dia de todos nós, humanos, aprendendo a viver. A parceria surgiu sem esforço, e o sonho engavetado voltou decidido a virar realidade. Fizemos, enfim, E A Vida Continua...!

Reformador: Quais suas percepções ao trabalhar o livro e elaborar o roteiro do filme?

Paulo Figueiredo: Há trinta e tantos anos, escrevi uma peça teatral (inacabada) e dei-lhe o mesmo nome do livro no qual me inspirei: E A Vida Continua... Essa obra literária era minha conhecida, um dos romances espíritas mais expressivos que já havia lido. Eu sentia como uma espécie de dever a ser cumprido, contar aquela história para o grande público, através de algum meio artístico. Busquei estimular parceiros no ambiente artístico e fora dele, para que embarcassem comigo no projeto. Logo descobri a inviabilidade da minha pretensão, e o script incompleto mergulhou na gaveta e lá ficou. Nosso sempre querido Chico Xavier me deu conselhos a respeito. Por algum motivo, eu sabia que o futuro me reservaria a sonhada oportunidade.Num processo que considero intuitivo, percebi que as ideias têm seu tempo de nascer e amadurecer. A opção pelo cinema surgiu em 2002, e, mesmo sem nenhuma perspectiva concreta, comecei a trabalhar no roteiro, depurando-o continuamente através de 11 tratamentos, até que se mostrou satisfatório. Dois anos foi o tempo dedicado a esse trabalho. Uma tarefa que me trouxe paz e aprendizado. Cansaço, nunca. Testemunha muda e paciente foi o exemplar do livro que usei como base. De suas páginas esfaceladas, rabiscadas com canetas de todas as cores, foi-me permitido extrair meu roteiro.

Reformador: E nos contatos com os atores, como foi a receptividade?

Paulo Figueiredo: Pessoas, instituições, empresas, pessoal técnico e de produção, artistas em geral colaboraram decisivamente para a realização, envolvendo-se material e espiritualmente no projeto. Posso afirmar que o próprio elenco foi determinado de forma evidentemente natural. Vieram as sugestões de nomes para cada papel. À medida que iam sendo apresentados a mim os atores e as atrizes indicados, mais e mais me dominava o sentimento de que se tratava de uma escolha já feita, que aquelas eram as pessoas ideais, e que minha tarefa não era mais do que apenas efetivar suas participações. E a reciprocidade de sentimentos era completa.

Todos trabalhamos felizes. Dois anos foram consumidos até o instante de apresentar o filme. É pouco trabalho, se comparado ao que os nossos mais belos sonhos esperam como resultado: plantar nos corações e mentes dos nossos irmãos pelo menos um pouco de amor. Não importa a quantidade de espectadores que o filme terá. Se apenas um receber o recado e o usar para mudar sua vida para melhor, já teremos sido regiamente pagos.

Reformador: Como sentiu a repercussão nas primeiras pré-apresentações para eventuais distribuidores e em Festivais?

Paulo Figueiredo: Como vem acontecendo em todas as pré-apresentações, o II Festival de Cinema Transcendental, em Brasília (DF), em março último, serviu como importante teste junto ao grande público. Pude observar e sentir, da maneira mais objetiva e eficiente possível, as reações das pessoas na plateia durante a projeção do filme. Ao longo de cada diferente trecho, notei perfeita compatibilidade entre o que se passava na tela e a consequente reação de todos. Isso significa, eu acho, que as minhas intenções, meu propósito como autor do filme, foram transmitidos ao público da forma imaginada já a partir da criação do roteiro, o que é uma recompensa extraordinária.

Reformador: Quando o filme será lançado e quais suas expectativas?

Paulo Figueiredo: O lançamento está previsto para agosto próximo. Apesar de toda estreia ser recheada de expectativas, a quantidade de razões que temos para acreditar na receptividade do grande público supera eventuais receios, a bem da verdade normais num realizador de filmes.

Reformador: Qual sua visão sobre a difusão de princípios espíritas em filmes cinematográficos e em novelas?

Paulo Figueiredo: É um caminho extraordinário, considerado o alcance dessas mídias. Depende, porém, de quem o utilize. Vale aqui lembrar como exemplo o automóvel. Criado como inocente meio de transporte, vira arma letal nas mãos do irresponsável.

http://www.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=299)

 

 

 


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