“Independentemente do tempo a ser gasto e da quantidade de lágrimas ou sorrisos emanados por nossas almas, todos conseguiremos atingir os objetivos, pois esta é a finalidade de nossa existência – a de gravitarmos em torno do Criador.”


Claudia Mandato Gelernter, nossa entrevistada desta semana, nasceu na cidade de São Paulo, e reside atualmente em Vinhedo – SP. É casada e mãe de Juliana e Gabriel. 

Espírita estudiosa há mais de 25 anos, Claudia é uma das fundadoras do CE Allan Kardec de Vinhedo.  É formada em Psicologia e Tanatologia e ministra palestras e Seminários onde é solicitada.

Claudia estará presente no Seminário Família – Desafio e Importância em Nossas Vidas, que será realizado em Itu no dia 05.10, promovido pelo Instituto Chico Xavier.

Para conhecer mais de seu trabalho, basta acessar o blog http://claudiagelernter.blogspot.com

1. Você vem realizando Seminários sobre o tema “Transição Planetária – O Sentido de Urgência”, em parceria com a oradora Vania Mugnato de Vasconcelos.  Conte-nos como surgiu esta ideia.
R: Algum tempo atrás, li uma obra que leva praticamente o mesmo título do Seminário: o livro “A Grande Transição da Terra – O Sentido de Urgência”, de Denis Moreira. Tal leitura causou-me forte impressão, tanto por sua profundidade como por sua intenção e seriedade, levando-me a estudar mais sobre os assuntos ambientais, nossa relação com o meio, etc. Pouco tempo depois contatei o autor, que por sinal tornou-se um querido amigo por quem nutro profunda admiração e respeito, pedindo autorização para divulgar seus estudos acerca do grave momento que atravessamos em nosso planeta e o nosso papel diante deste quadro. De lá para cá temos, eu e Vania, levado ao público tais informações, entendendo que se trata de um sério (e urgente) compromisso existencial.

2. Defina para nossos leitores o que é Transição Planetária e qual seu sentido de urgência.R: Vou buscar a resposta com o próprio Denis, que diz:“Podemos afirmar que se trata de sinergia de um conjunto de fatos e fenômenos que funciona como elo entre o fim de um ciclo evolutivo e o início de outro. No entanto, para mim, a melhor definição é que A Grande Transição é um estado de espírito, pois o choque dos acontecimentos promoverá uma profunda transformação no íntimo do que somos e do que seremos” (MOREIRA, p. 26)

Segundo Emmanuel, o orientador espiritual de Chico Xavier, passamos por uma primeira transição quando deixamos a fase animal, adentrando a hominal. Agora, estamos saindo do modelo de provas e expiações para um mundo de regeneração. Importante salientar que se trata de um mundo de regeneração e não de mundo já regenerado, ou seja, temos um longo e árduo trabalho pela frente.

3. O Brasil passa por um momento de grande transição. Você acredita que esta transição também faz parte da Transição Planetária mencionada em suas palestras?
R: Por todos os recantos do planeta percebemos uma inquietação, um descontentamento, um estranhamento, como se algo urgente [e ao mesmo tempo grandioso] estivesse surgindo. Movimentações sociais como as que vemos no Brasil, questionamentos, distúrbios, são sinais de alterações nos moldes do pensamento vigente. Quando um novo paradigma começa a surgir no cenário mundial, o antigo luta com todas as suas forças para manter-se. Daí a crise. São as turbulências geradas por tais mudanças, tão necessárias , embora desgastantes e perigosas, que nos assustam, porém é preciso manter os olhos para a frente. Já dizia Kardec que :"(...) em todas as épocas da história, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso". (Allan Kardec, 1868). Isso é ótimo.

4. No Seminário que será realizado em outubro pelo Instituto Chico Xavier na cidade de Itu você abordará o tema Constituições familiares e o Espiritismo. Explique-nos porque ao longo dos anos a Instituição familiar tem passado por grandes mudanças. A que se deve este fato?
R: Todo fato é social. É notável que a instituição familiar tem passado por diversas modificações, decorrentes das grandes mudanças que verificamos em nossa cultura (ocidental), na pós modernidade. Estamos acostumados com o tradicional modelo de família, constituído por pai, mãe e filhos, entendendo que apenas tal modelo pode ser saudável, produzindo sujeitos bem ajustados na vida em sociedade; entretanto, a experiência clínica tem demonstrado que não é bem assim, pois este modelo também pode produzir pessoas com os mais variados distúrbios emocionais.

O papel da mulher e do homem se alteraram nas últimas décadas, gerando diversas reformulações, tanto na relação conjugal como com relação aos filhos.

Ademais, outras situações surgiram no cenário, tais como a maior frequência de divórcios, as uniões informais, as uniões homoafetivas, etc. o que fez com que a estrutura familiar tradicional já não fosse mais a única possível, abrindo-se um espaço significativo para novas configurações.

5. Com o surgimento das novas Constituições familiares, o que mudou com relação à educação dos filhos?
R: Diante das mudanças sociais na pós modernidade, na qual nos deparamos com as questões do consumo, do individualismo, nesta lógica capitalista, predatória, muitos pais acabam passando demasiado tempo fora de casa, dificultando a relação com os filhos e mesmo entre os cônjuges. Tal realidade está acima do modelo desta família, pois pode atingir a todos, nos mais variados níveis e gêneros.

Importante destacar que, dentro da ótica Espírita, que deve dar luz às questões humanas, em qualquer época de nossa história e em qualquer cultura, as ‘regras’ válidas para as famílias consideradas como de padrão tradicional servem para todas as outras. Ou seja, estamos todos mergulhados na grande Lei Natural, que nos rege e ensina, de acordo com a Sabedoria do Criador. Sendo assim, entendemos que, independentemente das situações criadas em sociedade, devemos buscar viver de acordo com tal Lei, observando os valores a serem desenvolvidos, dissipando as névoas que nos envolvem e que nos obscurecem a visão espiritual – tão necessária para o sucesso em nossas empreitadas evolutivas, buscando auxiliar os Espíritos que retornam à Terra na condição de filhos, educando-os com amor e responsabilidade.

6. Nos dias atuais, com a onda crescente de divórcios, como fica a relação entre pais separados e seus filhos? E qual o prejuízo que advêm desta situação?
R: A relação pode ser saudável, se souberem lidar com a questão de forma madura, não egoísta, entendendo que os filhos não precisam e nem devem ser usados por seus pais como muletas ou instrumentos de tortura contra a outra parte. Pais que se atacam estão, mesmo sem perceberem, atacando os próprios filhos, ocasionando problemas de difícil solução.

Entendemos que uma relação deve preferencialmente ser finalizada pelas vias do respeito, da amizade, com entendimento e diálogo adulto, entretanto, quando isso não ocorre, tal separação poderá trazer prejuízos psíquicos que deverão ser trabalhados com seriedade e empenho.

 7. As novas constituições familiares tais como as uniões informais e as uniões homoafetivas mudaram os valores propostos nas uniões tradicionais?
R: De forma alguma. As regras éticas e morais válidas para um casal hetero são as mesmas que deverão reger uma união “informal” ou homoafetiva.

8.
Qual a visão espírita das uniões homoafetivas?
R: Entendemos que as preferências sentimentais de pessoas por outras do mesmo gênero nem sempre implicam na existência de abuso ou de algum distúrbio na área sexual - abuso esse que também pode ocorrer entre os indivíduos heterossexuais. Qualquer pessoa, independentemente de sua orientação sexual, terá graves problemas se, se entregar aos excessos no campo da sexualidade.

Por outro lado, nas relações em que prevalece o amor, o respeito, a liberdade responsável, ocorre uma harmonia  do casal (e da família) com a Lei Divina ou Natural, que nada mais é que a expressão do Amor e da Justiça de Deus.

 9. É possível a socialização e a educação de almas diante das novas constituições familiares?
R: Sim, sem dúvida. Seja como for esta nova configuração, a família continua sendo um local de proteção, de socialização, de estabelecimento de vínculos.

Independentemente da forma e do tempo de duração, deverá ser o local ideal para a educação de almas – um núcleo voltado ao crescimento, quando verificadas as bases saudáveis de relação entre seus pares.

10. Nestes novos tempos, em que o papel dos pais se altera e se confunde, pode-se gerar conflitos irreversíveis para o núcleo familiar?

R: Irreversíveis talvez não seja o termo mais adequado, mas de difícil solução, sim. Quando pai e mãe se encontram perdidos diante dos papéis que necessitam desempenhar, as relações ficam comprometidas, os filhos sentem-se inseguros, sem parâmetros a serem seguidos, gerando constante ansiedade.  Se a relação familiar não prevê uma hierarquização, entendendo a verticalidade que deve existir neste triângulo pai, mãe e filhos,também corre-se  risco de um descontrole geral.

11. Diante do panorama atual da sociedade e das novas famílias, quais os rumos que seguiremos no futuro?
R: Nós, humanos, vamos construindo nossa realidade a partir de tentativas e erros, acertos e desencantos. Diversos fatores contribuíram para as importantes mudanças que aconteceram (e que ainda acontecem), principalmente no Ocidente, entretanto, sempre tenderemos à evolução, ao progresso, impulsionados pela vontade do Criador. Seria grande audácia apontarmos rumos, pois consideramos que ainda estamos engatinhando neste processo de amadurecimento individual e social. Muitas coisas podem acontecer, afinal, possuímos o livre-arbítrio e mesmo o meio no qual estamos inseridos e que tanto nos influencia, pode se alterar, trazendo novas possibilidades. O que podemos afirmar, baseados nos postulados Espiritas, é que, independentemente do tempo a ser gasto e da quantidade de lágrimas ou sorrisos emanados por nossas almas, todos conseguiremos atingir os objetivos, pois esta é a finalidade de nossa existência – a de gravitarmos em torno do Criador, como nos ensinou o Apóstolo Paulo, na parte final de O Livro dos Espíritos, questão 1009. É o mesmo que dizer que, em determinado tempo de nossa evolução, quando conseguirmos nos libertar de todas as nossas imperfeições, seremos tão sábios que, felizmente, comungaremos com o Pai. Será o tempo de compreender toda a verdade e seguirmos adiante, realizando a arte da co-criação, trabalhando pelo Universo, num espírito de total irmandade, auxiliando aos que ainda não atingiram tal patamar.

12. Pedimos que deixe suas últimas palavras aos leitores de nosso site.
R: Estudar as questões sociais não é tarefa simples. Precisamos ampliar nossos olhares, buscando ligações históricas, culturais, a fim de melhor compreendermos estes fenômenos que emergem.  Entretanto trata-se de um exercício necessário, pois será somente através destes estudos e reflexões que conseguiremos melhor compreender a lógica das relações, repensando conceitos, buscando novas possibilidades (positivas) para a humanidade.

Por: Rita Ramos Cordeiro


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