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A Ciência, o cientista e o Espiritismo

Nascido em Goiania-GO e residente em São Carlos-SP desde 1978, nosso entrevistado é graduado em Física pela Universidade Federal de Goiás, possui Mestrado e Doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e trabalhou na PUC-Rio até final de 1977. Atualmente vincula-se ao Instituto de Física da USP São Carlos, como Professor e Pesquisador Senior.  Espírita desde 1962, é palestrante muito conhecido e está integrado à Obreiros do Bem, na mesma cidade onde reside. Submetemos ao amigo uma análise sobre os temas que trazemos na presente entrevista.

1 - Há como definir a ciência?
R. A ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades as mais gerais e abrangentes possíveis bem como a aplicação das leis científicas derivadas, obtidas e testadas através do método científico. Nestes termos ciência é algo bem distinto de cientista, podendo ser definida como o conjunto que encerra em si o corpo sistematizado e cronologicamente organizado de todas as teorias científicas, bem como o método científico e todos os recursos necessários à elaboração das mesmas.


2-  E como situar o cientista?
R. O cientista é um fator essencial à ciência, e como qualquer ser humano, dotado de um cérebro imaginativo, criativo, crítico e também com sentimentos e emoções. O cientista certamente também tem suas crenças - convicções que podem ir além da realidade tangível, podendo mesmo ser, não raramente, um religioso convicto. Ao definirem-se ciência e cientista é relevante ressaltar que em seus trabalhos científicos saiba manter suas crenças separados de seus artigos científicos e das teorias científicas com as quais trabalha; constituindo-se estes dois elementos - ciência e cientista - certamente muito distintos.

3 - Como vincular os esforços da ciência, no conjunto dos conhecimentos e ativa presença dos cientistas, diante da realidade de tantas divergências de interpretações e visão dos fatos?
R. O cientista quando elabora um trabalho científico só consegue sua publicação depois de ter seu trabalho analisado e criticado por dois, três ou mais cientistas da área de seu conhecimento e recebido deles opinião unânime da boa qualidade de seu trabalho. Desta maneira as divergências nos trabalhos científicos são minimizadas. Entretanto quando algum resultado é apresentado como surpreendente, provoca debates acirrados na comunidade científica até que, todos os aspectos referentes ao tema, sejam de aceitação geral pela comunidade científica. Para isto são realisados os congressos internacionais de Ciência em cada de suas áreas de atuação com frequência anual, bianual ou maior período. Por esta razão a Ciência se desenvolve de uma maneira relativamente harmônica.

4 - E como ficamos com a ciência diante da revelação espírita?
R. Neste sentido diríamos que o escopo ou paradigma da Ciência é ainda a Matéria e não o Espírito. Sendo assim não podemos esperar a palavra da Ciência em favor da realidade espiritual e muito menos da Revelação Espírita. No entanto do ponto de vista do Cientista já encontramos muitos esforços no sentido de trabalhar a hipótese do Espírito em algumas áreas do conhecimento científico, como a Neurociência. É um ponto de curiosidade científica se a consciência está no cérebro ou fora dele. Se o pensamento é uma forma de energia que se transmite entre mentes e ou cérebros. Se as possibilidades paranormais justificam ou não a existência do espírito como independente da matéria. De minha parte tenho certeza que estas iniciativas científicas vão abrir as portas da realidade espiritual e o pensamento científico se ocupará delas em futuro muito próximo.

5 - E como situar a revelação espírita perante a ciência?
R. No estudo da Revelação Espírita entendemos claramente a intenção do Mundo Espiritual, em face do adiantamento da humanidade terrena, que ela, a Revelação Espírita, veio no momento certo para convidar as almas mais preparadas para antecipar e trabalhar a concepção humana na direção da realidade espiritual até então esquecida pelo homem sensorial. De fato ela é uma Revelação Espiritual partida do Mundo Espiritual e que contou com o trabalho de homens maduros e sérios que cultivavam o conhecimento científico na época de seu surgimento, e que por isto mesmo, perceberam a sua lógica racional e a veracidade dos fatos hoje conhecido como mediúnicos, como autênticos e verdadeiros. É de se salientar a presença do Professor Rivail, ou o senhor Allan Kardec, como a mente lúcida e o sentimento equilibrado, que pode sistematizar as informações espirituais que lhe chegaram por diferentes médiuns e grupos estudiosos e dar um corpo doutrinário a estas informações de uma forma didática e logicamente estruturada. Por esta razão ele é o Codificador da Doutrina Espírita e uma regra importante que ele usou anda meio esquecida pelos continuadores espíritas de nossa época que é: Uma informação nova só pode ser incorporada à Doutrina Espírita se ela passar pelo caráter da universalidade dos ensinos dos Espíritos. A Ciência, enquanto não incorporar em seu paradigma a possibilidade do Espírito, não se ocupará da Revelação Espírita, mas cresce o número dos cientistas que se ocupam com a realidade espiritual.

6 - O que pensar sobre a opinião de um pesquisador de qualquer área da ciência perante os conhecimentos que gradativamente se acumulam na humanidade, inclusive a revelação espírita, face à diversidade de entendimento e amadurecimento de cada um? Especialmente se considerarmos os hábitos, crenças e condicionamentos humanos?
R. É importante neste aspecto, não perder de vista que a opinião de uma pessoa, seja ela cientista ou não, não passa de uma opinião pessoal que para ser considerada, precisa ser analisada com critérios da lógica e da sua inclusão dentro de outras opiniões que a corroborem como digna de ser levada a sério. Senão incorreremos na formação de correntes de pensamentos que não se suportam a si mesmos, mas que são capazes de angariar apoio de pessoas menos cautelosas e criar com isto desenganos que podem levar ao sofrimento muitas pessoas. Hoje com a internet isto tem acontecido com muita intensidade, pois que muitas pessoas acham que se está na internet é verdade. Veja por exemplo o ocorrido recentemente com as interpretações errôneas do calendário Maia. Para evitar tais acontecimentos, busquemos conhecer com mais profundidade os indivíduos que se apresentam como pesquisadores e atentemos para a seriedade de suas opiniões.

7 - Em sua opinião qual a maior contribuição do espiritismo para a Ciência no geral? 
R. Como disse anteriormente, a Doutrina dos Espíritos codificada por Allan Kardec veio abrir portas para uma realidade esquecida pelo homem de Ciência e para os desenganados das religiões, convidando o homem sério a buscar o conhecimento da realidade Espiritual. Assim como a Ciência delineia as Leis do mundo sensorial para o nosso conforto material transitório, a Doutrina Espírita delineia as Leis Espirituais para o nosso conforto interior como seres espirituais permanentes. Ela nos ajuda a compreender os verdadeiros objetivos da Ciência e da própria vida terrena.


8 - Quais os principais pontos de ligação entre a ciência convencional, com suas pesquisas e busca do entendimento dos fatos na formulação de leis e princípios, e o Espiritismo?
R. Como disse anteriormente. Eu diria que os pontos de ligação estão justamente nos métodos de analises utilizados por ambas. A Doutrina Espírita é uma ciência de observação e como tal não podemos ter domínio sobre os fatos, pois que os Espíritos tem vontade própria e não se submetem ao mando do cientista. Neste sentido ele é parecido com a Astronomia cujos fatos são observados, mas não realisados em laboratório, como outras áreas da Ciência material.

9 - Algo marcante de suas reflexões pessoais que gostaria de relatar?
R. Gostaria de deixar claro aqui minha opinião como cientista e Espírita. O estudo da Ciência e da Doutrina Espírita para mim são recursos educadores de minha alma. As estruturas de raciocínio lógico da Ciência e da Doutrina Espírita são equivalentes, e o entendimento de uma e outra me ajudam a viver com mais equilíbrio e serenidade. Saber-se imortal e saber que aprenderei sempre é uma grande felicidade.

10 - Qual sua visão do panorama atual de conhecimentos humanos frente ao avanço do pensamento espírita?
R. O panorama atual da humanidade é de conflito entre o egoísmo individual e coletivo com os anseios de um mundo mais justo e generoso. A Humanidade está internamente dividida entre o sofrimento de muitos e a vantagem de poucos. A Ciência e a tecnologia facilitam a vida do homem, mas o homem dificulta a vida uns dos outros por falta de uma visão de solidariedade e amor. Aquele lema da Revolução Francesa de mais de duzentos anos – Liberdade, Igualdade e Fraternidade - não aconteceu ainda entre os homens. Todos ansiamos por este lema, mas não sabemos executá-lo por falta da convicção da nossa realidade espiritual permanente e evolutiva. Neste sentido só a Doutrina Espírita pode solucionar este conflito. Por esta razão estão certos os Espíritos, a prática e divulgação da Doutrina Espírita é a maior caridade que podemos fazer neste momento de transição.

11 - Algo mais que gostaria de acrescentar?
R. Estou feliz por poder dizer àqueles que nos leem que podemos juntos mudar o mundo para melhor, começando por mudar a nós mesmos já que não podemos dar aquilo que ainda não temos. Unamo-nos em torno de um ideal comum que é nos tornamos uma única família sob a égide de um mesmo patrono que para mim representa o modelo de homem ideal: Jesus.


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