Divaldo fala nesta entrevista sobre seu amigo e companheiro Nilson de Souza Pereira, que desencarnou no ano passado, aos 89 anos de idade.

Nilson de Souza Pereira (foto) nasceu em Salvador (BA) em 26 de outubro de 1924 e desencarnou às 4h40min de 21 de novembro de 2013, na mesma cidade, aos 89 anos. Tio Nilson, como era carinhosamente chamado, fundou, juntamente com o médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de setembro de 1947, o “Centro Espírita Caminho da Redenção”, e, em 15 de agosto de 1952, o braço social da instituição, a “Mansão do Caminho”. Foi telegrafista do Ministério da Marinha, trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos e foi bancário. Organizou vários livros da lavra mediúnica de Divaldo Franco: “Terapia espírita para os desencarnados”, “A serviço do Espiritismo – Divaldo na Europa”, “... E o amor continua”, “Exaltação à vida”, “Vidas em triunfo” e “Viagens e entrevistas”. Mas também escrevia para a revista “Presença Espírita”, editada há 38 anos pelo “Caminho da Redenção”.


Em 30 de dezembro de 2005 foi agraciado (tal como Divaldo Franco) com o título de Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela “Ambassade Universelle pour la Paix”, em Genève (Suíça), capital da Organização Mundial da Paz, ligada à ONU. Tornou-se, assim, o 206º Embaixador da Paz no Mundo.


Quem era Nilson, que tipo de pessoa era?
Nilson foi, na Terra, um homem jovial e encantador, dedicado ao trabalho do bem desde que travou contato com o Espiritismo no ano de 1945. Na ocasião era marinheiro, posteriormente telegrafista dos Correios e, por fim, bancário, em cujo labor aposentou-se.
Portador de uma dedicação incomum, era considerado o “homem dos sete instrumentos”, pela sua capacidade de exercer as mais variadas funções em nossa Instituição, consertando tudo quanto lhe chegava às mãos. Responsável pela edificação de todo o conjunto de casas, departamentos e residências da comunidade Mansão do Caminho, instalações elétricas, água e serviços gerais. Antes de tornar-se espírita aos 23 anos de idade teve namoradas e quase ficou noivo. Posteriormente entregou-se totalmente à obra de amor e quase não dispôs de tempo para materializar outras aspirações. Era alegre e jovial, mas sério e responsável, sendo muito respeitado e amado.

Como nasceu a vossa amizade, como se conheceram, como nasceu o projeto de, em conjunto, construírem a Mansão do Caminho? E que tipo de cidadão era?
Em 1945 eu ensinava português em uma Escola de datilografia, auxiliando os alunos que tinham dificuldade com o idioma. Eu estava com 18 anos. Nilson e amigos matricularam-se na Escola no mês de fevereiro e passei a ministrar-lhe e aos companheiros noções do idioma pátrio. Nesse ínterim seu genitor enfermou gravemente e sabendo-o prontifiquei-me a visitá-lo, constatando que se tratava de um transtorno obsessivo de consequências orgânicas. Apliquei-lhe a terapia dos passes, da água fluidificada, os Benfeitores orientaram-no no tratamento homeopático e, ao recuperar-se, toda a família tornou-se espírita.

O projeto da Mansão do Caminho é resultado de uma visão psíquica de que fui objeto, quando ambos retornávamos de uma visita a uma jovem obsidiada e nos encontrávamos num comboio ferroviário. Ao descrever-lhe o que vi, ele desenhou e guardou os detalhes apresentados, vindo a materializar-se, por volta de 1955... Ao adquirirmos uma área de 86 mil metros quadrados, ele começou a construir a comunidade conforme o desenho que fizera, resultando no que hoje existe. Antes as crianças viviam em um edifício de 3 andares,  então denominado Orfanato, que recebeu o nome de Mansão do Caminho. Era um cidadão eminentemente pacífico e trabalhador.

É verdade que ele mandava o Divaldo deitar-se no banco de trás do carro, para não o incomodar, pois o Divaldo confundia os vivos com os mortos? (risos...) Que outras histórias pitorescas que ache oportuno partilhar?
Realmente, no período de educação da mediunidade, o fenômeno era tão pulsante que me levava à dificuldade de distinguir aquilo que era objetivo do que se passava no campo da paranormalidade. Eu via acidentes e assustava-me, obrigando Nilson a mandar-me para a parte de trás do carro, a fim de não o atrapalhar. Dessa forma não aprendi a conduzir veículos até hoje. Muitas vezes, eu era apresentado a uma pessoa e via-lhe o semblante. Ao reencontrá-la, apresentava outra face, o que muito me confundia, porque dependia do acompanhamento espiritual daquele momento.

Qual o papel dele na Mansão do Caminho, que tipo de trabalhos era da sua responsabilidade?
O papel de Nilson na Mansão do Caminho era de fundamental importância. Porque além de ser o grande trabalhador, também era o presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e de todos os seus departamentos, incluindo a Mansão. Não se detinha, porém, no que lhe era dever realizar, mas estava sempre disposto aos labores que se apresentavam, o que não eram poucos.
Dormia pouco, a fim de atender a todos os compromissos, nunca ultrapassando 4h30 em média diariamente.

Nilson sempre viveu na sua retaguarda, apesar de caminharem lado a lado. Deu-lhe muito apoio nas suas viagens de divulgação espírita pelo mundo afora. Que tipo de espírita era, que tarefas espíritas tinha, como o classificaria como espírita?
Em razão do seu caráter de homem de bem, jamais se apresentava, mantendo-se sempre discreto em todas as situações, em Salvador ou viajando pelo mundo. Era-me, no entanto, o grande apoio, a solidariedade, o concurso amigo para quaisquer situações. Embora de formação cultural primária, escrevia muito bem e falava com correção de linguagem. Era um verdadeiro espírita, conforme o conceito apresentado por Allan Kardec.

Ele recebeu um alto galardão como cidadão mundial defensor da paz. Como foi isso, quer explicar-nos?
Para nossa surpresa, no mês de dezembro de 2005, nós dois fomos indicados como Embaixadores da Paz no mundo, sem jamais sabermos como isso aconteceu em Genève, através do Instituto para a Paz no Mundo.
De acordo com um livro publicado, Nilson teria sido seu irmão, ambos filhos de Joana de Cusa, e Nilson foi sacrificado, juntamente com sua mãe Joana de Cusa, atualmente sua guia espiritual, Joanna de Ângelis. Que outras ligações teve com Nilson que se recorde?
Em realidade, conforme as informações espirituais, ele teria sido queimado vivo com sua mãe, Joana de Cusa, que mais tarde se identificaria como Joanna de Ângelis. Ainda, segundo as mesmas fontes, teríamos ambos retornado ao conhecimento e convivência da doutrina cristã ao tempo de Francisco de Assis, na Úmbria e, posteriormente, na Escócia...

Nilson teve vários problemas de saúde graves e desencarnou de cancro. Todas essas dores foram expiação ou contingências de um ser terreno, em provas escolhidas?
As problemáticas na área da saúde foram decorrência de comportamentos infelizes em existências passadas, que ele soube administrar muito bem, sem jamais haver-se queixado ou reclamado. Sempre paciente, foi um exemplo de resignação.

40 dias depois da sua desencarnação ele comunicou-se por intermédio de sua fala (psicofonia). Como foi esse momento? Divaldo assistiu ou participou na desencarnação do Nilson?
Havíamos combinado que ao ocorrer qualquer problema com um de nós, o outro continuaria no trabalho. Desse modo, durante toda a sua enfermidade final, eu mantive a programação de viagens e os compromissos firmados, indo ao Hospital para o acompanhar nas demais horas.

Quando ele desencarnou eu me encontrava em viagem e prossegui, não havendo participado do seu sepultamento. Ao concluir o labor e retornar, fui diretamente ao cemitério orar junto à sua tumba, sem extravasar a imensa dor que me dominava e ainda permanece mais suavizada. Nesse ínterim, após a desencarnação, tive uma visão dele, quando do nosso Movimento Você e a Paz: ele apareceu-me amparado pela Benfeitora Joanna de Ângelis e acenou-me sorrindo. Posteriormente, num momento de profunda reflexão e dor, ouvi-lhe a voz, que me disse: “Di, não quero você triste nem deprimido. A sua alegria é importante para auxiliar outras pessoas...”
No dia da mensagem psicofônica, vivenciei sentimentos de interiorização até o momento, na reunião, quando ele ofereceu-nos a página consoladora, durante um transe inconsciente de minha parte, que muito me refrigerou o coração e a mente.(1)

Palavras finais sobre Nilson Pereira e outras aos leitores do Jornal de Espiritismo.
Espero que o exemplo desse homem nobre e simples sirva de demonstração atual de que é possível viver Jesus nos dias modernos.(2)

(1) A mensagem transmitida por Nilson foi publicada na edição 345 desta revista. Eis o link: http://www.oconsolador.com.br/ano7/345/correiomediunico.html
(2) Sobre a Mansão do Caminho leia a reportagem publicada nesta revista em 1º de setembro de 2013. Eis o link: http://www.oconsolador.com.br/ano7/327/especial2.html

Nota do Autor:
A entrevista acima foi concedida por Divaldo Pereira Franco em 2 de dezembro de 2013 ao Jornal de Espiritismo, de Portugal, e publicada na edição nº 63 de Março-Abril de 2014. Para saber mais, acesse http://artigosespiritaslucas.blogspot.pt/2014/03/nilson-pereira-um-homem-bom.html
Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano8/358/entrevista.html



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