Especialista em infectologia, a confreira e médica diz que nossos pensamentos e sentimentos comprometem para melhor ou para pior o nosso relacionamento com os agentes infecciosos

Juliana Mandato Ferragut, espírita de berço, natural de São Paulo e residente em Vinhedo, no interior do estado, é médica especialista em infectologia. Vincula-se ao Centro Espírita Allan Kardec, da mesma cidade onde reside. Palestrante, expositora do ESDE e participante de grupo mediúnico, respondeu às nossas perguntas acerca
de infectologia à luz do Espiritismo.

Para situar o leitor, por favor, situe em linhas gerais a infectologia.
Infectologia  é a especialidade médica que se ocupa do estudo das doenças causadas por diversos patógenos, como príons, vírus, bactérias, protozoários, fungos e animais. O infectologista atua na prevenção primária (educação em saúde, vacinação etc.) e na prevenção secundária (tratamento de doenças infecciosas e prevenção de incapacidade causada por estas). É uma área do conhecimento médico muito antiga, porém ainda muito necessária nos dias de hoje. No Brasil, a Infectologia é uma especialidade médica, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, sendo determinado que, além do curso de Medicina, o profissional deva fazer uma residência médica que tem a duração de três anos.

O que mais lhe chama atenção nesse ramo do conhecimento humano e de especialidade médica?
Para mim, como espírita, o que mais surpreende no trabalho diário no campo infectológico é o manancial de aprendizado na relação médico-paciente. Desde a antiguidade as doenças infectoparasitológicas produzem verdadeiros marcadores de marginalização e preconceito nas comunidades. Desde antes de Jesus, quando tínhamos o exílio de portadores da moléstia de Hansen (antigamente conhecida como lepra, hoje este nome entrou em desuso pelo preconceito que lhe foi atribuído), o mesmo com a sífilis, a tuberculose e a própria Aids, sempre vimos na história da humanidade as doenças infectocontagiosas segregando populações e servindo como provas e expiações muito dolorosas para nós, Espíritos encarnados em evolução. Sendo assim o dia a dia com os pacientes é riquíssimo em aprendizado de resignação e coragem.

Como surgiu seu interesse por essa área específica?
Como a maior parte das grandes alegrias da minha vida, eu “caí de paraquedas”. Completamente conduzida pela espiritualidade, sinto que fui direcionada por uma oportunidade em me envolver com a área, logo após o término da graduação. Sempre me encantei com o campo de atuação, pois de fato é uma especialidade muito ligada à medicina social, controle de infecções prevalentes na comunidade, medidas para prevenção e educação higienodietéticas e de comportamento.

Como podemos aplicar o conhecimento espírita nos desdobramentos próprios das infecções na relação saúde/enfermidade?
Hoje nós encontramos, como quase em tudo na medicina, vasto campo de pesquisas e estudos no meio científico espírita, entre o desenvolvimento de doenças infectoparasitárias e predisposições perispirituais associadas ou não a programações reencarnatórias. É maravilhoso perceber que alcançamos esse espectro do conhecimento, comprovando mais uma vez que nada no universo se dá ao acaso e não há injustiça divina em nada do que nos ocorre. Mas sim, sempre, oportunidade de aprendizado e reparação.

De seus estudos profissionais, como o conhecimento espírita amplia sua visão sobre a questão?
Completamente. Veiculando o tratamento do paciente à compreensão de que a saúde do corpo é apenas mais um item a ser cultivado por todos nós, ou seja, reafirmando a saúde do Espírito como um bem a ser cuidado e valorizado, a minha relação médico-paciente se desdobra de forma completamente diferente aos demais colegas de profissão. Frequentemente o contato do médico com o paciente se dá em um momento muito delicado, onde há oportunidade única para o entendimento da dor/doença como oportunidade de aprendizado, de crescimento. Nesta abençoada profissão eu tenho a oportunidade de conduzir o paciente a essa reflexão enquanto veiculo uma terapêutica que de fato, na grande maioria dos casos, restabelece o status de saúde ou ao menos promove um ótimo controle da doença crônica. Sendo assim, é um momento crucial o instante entre o paciente se ver gravemente doente e o próximo passo, onde se restabelece a saúde do corpo físico. A grande diferença está nesta oportunidade de compreensão do que a doença de fato veio ensinar ao meu irmão, causando modificações internas sólidas, que ele levará consigo para sempre.

Algo marcante de sua experiência que gostaria de relatar?
Trabalhando hoje no âmbito do SUS, eu tenho a oportunidade de cuidar de vários irmãos em situações socioeconômicas muito difíceis, e que, com o diagnóstico de doenças estigmatizantes como o HIV/Aids, viveram verdadeiras desgraças como rompimento familiar e abandono, estada em sistemas carcerários extremamente sofridos e envolvimento com criminalidade e drogas. Participar do tratamento desses irmãozinhos, acompanhando o restabelecimento de sua saúde física e contribuindo para todo o processo do autoperdão, reafirmação de valores ético-morais e reconstrução de laços familiares, foram as melhores vivências da minha vida profissional. Mesmo quando a vida da carne não era mais possível de ser reconstituída, eu tive oportunidades únicas de compartilhar com alguns pacientes o seu momento de desencarne, sua percepção sobre as limitações do mundo dos vivos, suas despedidas dos que ficaram deste lado, e até mesmo o seu desenlace com o contato com os familiares que já estavam à sua espera do outro lado da vida e vieram recebê-los dos meus braços.

Com a experiência já acumulada do conhecimento médico e espírita, o que diria para uma pessoa qualquer que queira proteger-se de infecções em geral?
Assim como nos orienta Kardec, é preciso acompanhar a ciência e o entendimento da medicina terrena em primeiro lugar. Todas as medidas profiláticas higieno-dietéticas, educação e cuidados com a sexualidade, bem como a abstenção de vícios, influenciam diretamente em todo processo saúde-doença, e o mesmo se dá com as doenças infecciosas. O não beber, não fumar, manter a higiene do corpo, praticar atividade física regularmente é válido em todas as especialidades médicas, e também na Infectologia. Há sempre benefícios quando tratamos do vaso físico, esse presente maravilhoso que nos possibilita a interação com o mundo, com respeito, cuidado e carinho. Não é apenas da virulência do agente infeccioso em si que depende o estabelecimento da doença infectocontagiosa; há de fato um acordo e um diálogo constante entre microorganismo e hospedeiro em todo processo. E hoje nós compreendemos que além dos cuidados que devemos demandar com o universo celular há também a necessidade de se administrar de forma madura o nosso mundo psíquico. Os nossos pensamentos e sentimentos também influenciam nas características do nosso “jardim” e comprometem para melhor ou para pior o nosso relacionamento com os agentes infecciosos.

Algo mais que gostaria de acrescentar?
Apenas agradecer a Deus pela oportunidade de aprender e trabalhar servindo com Jesus sempre.

Por: Orson Peter Carrara

FONTE: http://www.oconsolador.com.br/ano8/378/entrevista.html


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