José do Carmo Rodrigues é casado, pai de Daniel e Érica, nascido em Itu, no interior de São Paulo e reside atualmente na cidade de São Paulo.

É espírita estudioso da Doutrina Espírita e palestrante, e atua profissionalmente como professor universitário.

Está concluindo o curso de Ciências da Religião, pela Universidade Metodista de São Paulo e realiza uma pesquisa acadêmica Sobre Conversão ao Espiritismo. Acompanhem a entrevista exclusiva ao nosso site.

 

  1. É espírita há quanto tempo e como entrou para o Espiritismo?

Sou espírita desde que nasci; Nasci em um lar espírita.

Qual Casa Espírita é vinculado?

Associação Espírita Cabaninha de Antonio de Aquino, em Itu/SP.



Qual sua colaboração nesta Casa Espírita?

 

Faço parte da Diretoria e colaboro nas reuniões públicas como palestrante.

Você é palestrante há quanto tempo e como iniciou este trabalho?

Desde adolescente; Fazendo estudos na mocidade espírita. Nessa época eu participava também das COMEZI (Concentração das Mocidades Espírita da Zona Ituana) que reunia muitos jovens dos centros espíritas da região. Nessas concentrações eu participava dos concursos de oratória, abordando temas espíritas.

Qual é o aprendizado que tem adquirido com a realização de palestras?

A necessidade de muito estudo sobre o espiritismo; confiar na intuição e na mediunidade; a necessidade de cultivar a humildade; e, estar consciente da responsabilidade dessa tarefa perante a Doutrina Espírita.

Como foi sua infância na Doutrina Espírita?

Frequentei escolas de evangelização onde fui iniciado na Doutrina Espírita. Lia alguns livros infantis, raros naquela época, como Histórias do Pequeno Morto, Maricota Serelepe; As três Revelações para as Crianças, e outros.

Qual foi a contribuição de seus pais em sua formação religiosa?

Total. Com eles aprendi os preceitos espíritas e a importância da caridade. Meus pais se dedicaram à assistência aos necessitados desde quando se mudaram para Itu, em 1948. Nessa cidade, além do centro espírita (a Cabaninha), fundaram um orfanato que funcionou até a sua morte, no final da década de 1990.

Você se considera um estudioso da Doutrina Espírita?

Sim. Agora mais amadurecido e mais seletivo nas leituras e pesquisas.

Como vê o Movimento Espírita na atualidade?

O movimento espírita atual passa por mais uma fase crítica: a do fortalecimento de sua identidade nacional e internacional decorrente da expansão do espiritismo. Essa expansão, como acontece com muitas religiões, o torna vulnerável a aventuras místicas e filosóficas, que desnaturam o seu conteúdo. Manter a pureza doutrinária será o grande desafio deste século XXI. As ameaças são muitas. Hoje, a principal delas, talvez, seja confundir a literatura espírita com a literatura de auto-ajuda e romances mediúnicos. Isso deixa o público confuso. Usam-se princípios espíritas na literatura de auto-ajuda e nos romances mediúnicos, e técnicas de auto-ajuda e fantasias dos romances mediúnicos na literatura espírita. Nada contra a auto-ajuda, nem aos romances mediúnicos, mas essas publicações, quando ligadas ao espiritismo, muitas vezes, concorrem para a distorção dos princípios e métodos doutrinários. A auto-ajuda é um movimento muito útil dentro da literatura e ajuda as pessoas a conviverem com suas dificuldades, no entanto, o espiritismo tem seus recursos e ferramentas próprias para a solução do problema humano. O método espírita é o da transformação moral pela prática do bem e do reconhecimento de nossas faltas. O espiritismo ensina que a felicidade ainda não é deste mundo e que muitas vezes precisamos abrir mão do nosso conforto físico e espiritual para resgatarmos dívidas do passado.

Na sua opinião, qual o motivo que leva as pessoas a saírem de suas religiões para adentrarem no Espiritismo?

Hoje, acho que é a busca do entendimento da condição humana, suas dores, suas obrigações e seu destino futuro. Algumas das hipóteses com que trabalho na minha pesquisa são essas. Todos falam de espiritualidade, e a presença ou interferência dos espíritos na vida material é tema constante de publicações, peças de teatro e filmes. Mas, só a Doutrina Espírita tem informações mais detalhadas e precisas a oferecer nesse campo – campo cada vez mais demandado pelas pessoas que se interessam pela religião. A racionalidade do espiritismo ganha adeptos pelo encontro do conhecimento disponível com o bom senso.

Você trabalha com jovens, como vê a questão da religiosidade nos jovens de hoje?

A multiplicidade de ofertas de modelos religiosos deixa os jovens confusos na escolha de uma religião. Passados os rápidos anos da adolescência eles começam a sentir a necessidade de vivenciar a prática religiosa. A curiosidade natural e os canais disponíveis de contato os fazem conhecer e experimentar a diversidade das seitas e religiões e, como não têm uma base anterior para avaliação, acabam por se perder nessa busca tornando-se, muitas vezes, descrentes da religião. Nessa situação, adiam a sua afiliação religiosa, valiosa como suporte para as situações aflitivas futuras que, certamente terá que enfrentar.

Poucos centros espíritas possuem evangelização de jovens, na maioria dos casos, por falta de jovens interessados. Mas, um dos fatores dessa desmotivação é que a maioria dos pais só se preocupa em conduzir seus filhos para o espiritismo quando esses começam a apresentar aqueles problemas típicos da adolescência. Aí, correm para o Centro Espírita atrás de passe e evangelização. O Jovem que não conheceu o espiritismo na infância, não adquiriu a aderência necessária para se manter na Doutrina. Por isso, os nossos jovens espíritas que participam das mocidades e juventudes dos Centros Espíritas são baluartes de uma fé e uma dedicação à Doutrina, rara e louvável.

Como é visto a Doutrina Espírita, fora do Movimento Espírita?

O espiritismo é conhecido pela face com que se mostra. Somos reconhecidos como filantropos, de boa formação escolar e bom nível social. No entanto, ainda somos confundidos com outras religiões que praticam a mediunidade. E como o catolicismo e o protestantismo sempre demonizaram e condenaram a mediunidade, muitos nos veem com medo e desconfiança. Mas, é uma questão de tempo até que sejamos conhecidos e melhor compreendidos. Olhe nas bancas de revistas, nunca se viu tantas publicações sobre o espiritismo.

Você está concluindo o Curso de Ciências da Religião, como surgiu a idéia de fazer o curso?

Eu sempre gostei das áreas de filosofia, educação e religião e enxerguei a possibilidade de concentrar meu aperfeiçoamento acadêmico nessa área, através desse curso. Outra motivação foi a de que desejava aprender a compreender o fenômeno religioso e me especializar em religiões mediúnicas, principalmente no espiritismo.

Qual a diferença entre Teologia e Ciências da Religião?

O Curso de Teologia é um curso em que são estudados os fundamentos de uma determinada religião, no Curso de Ciências da Religião são estudadas as diversas visões que algumas disciplinas (psicologia, sociologia, antropologia, etc.) têm do fenômeno religioso. No curso entramos em contato com pessoas de diversos credos e estudamos as principais religiões do mundo, mas sem exclusividade para com nenhuma delas.

Qual a importância do conhecimento religioso para a aplicação de suas palestras e em seu dia a dia como Espírita?

O conhecimento da religião como disciplina de interesse humano, é fundamental! O conhecimento adquirido enriquece a argumentação e evita certas falhas e confusões comuns nas palestras espíritas. Como a maioria dos palestrantes são dedicados apenas ao estudo da Doutrina Espírita, eles têm uma visão setorial do fenômeno religioso e tem dificuldade em compreender a evolução do pensamento religioso até o surgimento da doutrina espírita. Outra grande contribuição de um curso desse tipo é a ampliação do horizonte de leitura para além dos livros espíritas, o que permite compreender e comparar os princípios das diversas religiões existentes no mundo e até identificar as suas evoluções.

Como tem sido sua atuação no Movimento Espírita?

Sempre trabalhei no espiritismo e dei, modestamente, a minha contribuição, principalmente em cursos, estudos e palestras. Devido à rotina da vida militar, a que me dediquei por trinta anos, conheci o Brasil de Norte a Sul e desde Bagé, no Rio Grande do Sul, até Tefé, no Amazonas, procurei participar dentro das minhas possibilidades. Fiz parte do movimento espírita jovem, na década de 1960 e desenvolvi a psicografia, ainda muito cedo. Desempenhei funções diversas em alguns Centros Espíritas e até cheguei a editar uma pequena publicação espírita – A Voz Espírita, quando estive no Norte. Atuei, como delegado, na Cruzada dos Militares Espíritas, entidade que congrega militares espíritas das Forças Armadas e Auxiliares, participando do movimento espírita dentro dos quartéis.

Nos conte um pouco sobre seus Projetos atuais, na área da divulgação da Doutrina Espírita.

Pretendo continuar a divulgar e estudar o espiritismo, principalmente junto ao meio acadêmico, onde ainda, nós os espíritas, somos muito poucos. A religião cresce de importância e o espiritismo precisa de mais vozes no meio acadêmico. Existem muitos assuntos a serem explorados pela pesquisa espírita. Dizemos que o espiritismo é ciência, mas de ciência e pesquisa espírita produzimos muito pouco, apesar dos diversos empreendimentos de divulgação da doutrina (congressos, encontros, palestras, etc.) e, agora, até uma faculdade de teologia espírita. Precisamos crescer no campo acadêmico para termos condições de acompanhar a crescente demanda pelo espiritismo. Há a necessidade de complementarmos a divulgação da Doutrina com a produção de conhecimento científico e de pesquisa. Concito os espíritas que se motivem e busquem no meio acadêmico uma forma de se aperfeiçoarem no conhecimento da religião.

Como surgiu este Projeto relacionado a pesquisa acadêmica de Conversão ao Espiritismo?

No ano em que me candidatei ao doutorado, 2007, comemorou-se o sesquicentenário do lançamento do Livro dos Espíritos (1857), portanto, do surgimento do espiritismo. Busquei, então, para o meu projeto de pesquisa, um tema que fosse útil para o estudo acadêmico da Doutrina. Tive a ideia de explorar a motivação do transito religioso para o espiritismo, no Brasil. Felizmente o projeto foi aceito e estou agora, em fase conclusiva da tese. Gostaria de comentar, que à época da proposta não acreditava muito na possibilidade de sucesso, tendo em vista as poucas vagas (cinco) e tendo em vista que o Curso era oferecido por um estabelecimento de ensino de tradição religiosa não-espírita. Surpreendeu-me a excelente acolhida que a Metodista me proporcionou. Essa surpresa vinha do desconhecimento que eu tinha do espírito fraternal que aquela escola cultiva. Me fez lembrar que as primeiras manifestações mediúnicas em Hydesville (1848) ocorreram, justamente, na casa de Mr Fox, um metodista. Conheci e fiz amizade com muitos pastores evangélicos e seguidores de diversas religiões. O curso de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo tem entre seus alunos, adeptos de muitas religiões, inclusive religiões africanas e orientais, cujos membros fazem mestrado e doutorado nessa escola. Meu orientador é um pastor presbiteriano, o Prof Dr Leonildo Silveira Campos. Com ele tenho aprendido muito sobre religião e vivência inter-religiosa. Tenho abusado da paciência dele, na aquisição de noções básicas de religião e campo religioso, tendo em vista que a minha formação anterior (graduação e pós-graduação) não é na área da religião e sim na área da estratégia militar e da administração.

Está tendo apoio de algum grupo para este trabalho?

Tenho sido apoiado pelos espíritas de todo o Brasil bem como por algumas instituições, desde Centros Espíritas, até Federações e órgãos de pesquisa e divulgação da Doutrina. Estive no programa Repensar, da TV Mundo Maior, apresentado pela Maria Izilda, falando obre o meu trabalho acadêmico. Essa entrevista pode ser acessada no link http://www.redemundomaior.com.br/repensar/index.php?option=com_content&view=article&id=85:conversao-ao-espiritismo-no-brasil-&catid=35:episodios&Itemid=58

Qual o objetivo que você espera alcançar com esta pesquisa?

Entender o que leva pessoas de outras religiões a se tornarem espíritas, no contexto religioso brasileiro.

Recentemente o IBGE, através de uma pesquisa nacional, classificou os espíritas como: Espíritas Kardecistas. Como você analisa esta questão?

Tenho acompanhado essa discussão. Nós espíritas sabemos que o espiritismo não é “de” Kardec, mas fruto de seu trabalho organizador. Devemos, no entanto, compreender que por muito tempo o espiritismo foi confundido com outras religiões mediúnicas. O povo foi aprendendo a nos diferenciar aos poucos (lembra? baixo-espiritismo e alto-espiritismo; espiritismo de mesa branca, etc.). É sabido que no censo de 2000, o IBGE tinha perto de 30.000 denominações religiosas para catalogar. Imagine a dificuldade do IBGE em medir a frequência de uma categoria, em que nem mesmo seus próprios membros têm certeza de como se chamar. O resultado do Censo 2010 parece não confirmar o aumento inequívoco dos efetivos espíritas nesses últimos dez anos, e isso pode se explicar, em parte, por um preciosismo nosso: primeiro, muitos não aceitam ser o espiritismo uma religião, o que os pode ter levado a não responder esse item, ao Censo; segundo, muitos não aceitam ser chamados de kardecistas, o que os pode ter levado a se identificar por outras denominações; terceiro, as federações tardaram a dar uma orientação uniforme para os espíritas, de forma que muita gente, como eu, não sabia como se classificar no emaranhado de denominações religiosas existentes no Brasil. Acho que não há demérito nenhum em sermos chamados de kardecistas, se a intenção é caracterizar o grupo dos espíritas brasileiros que seguem a orientação dos livros de Kardec. Veja bem, se você se identifica como Kardecista, não há dúvida do que você é, mas se você se identifica como espírita, perante pessoas e instituições que não nos conhecem bem, como é o caso do IBGE, ainda restará a dúvida sobre a que grupo realmente você pertence. Se tivéssemos nos identificado todos como kardecistas (ou qualquer outra denominação que fosse uniforme para todos nós) apenas para efeito de censo, hoje saberíamos melhor quanto somos. Sabermos o quanto somos é muito importante, embora sabermos o que somos, seja mais importante ainda.

Vamos estudar e divulgar mais a Doutrina e quem sabe, num futuro próximo, nós sejamos conhecidos por todos simplesmente como espíritas – os seguidores da Doutrina codificada por Allan Kardec.

Deixe uma última mensagem aos leitores de nosso site.

Primeiramente, quero agradecer o honroso convite desta entrevista e a oportunidade de comentar sobre o meu trabalho. Quero também, desejar a todos um 2012 cheio de paz, saúde e realizações positivas, materiais e espirituais. Concito, mais uma vez, todos os espíritas ao estudo da Doutrina Espírita e a participarem da Academia através dos inúmeros cursos que as Universidades oferecem no campo da religião. Felicito a todos vocês do Instituto Chico Xavier por esse trabalho junto ao espiritismo e coloco o link da minha pesquisa http://pt.surveymonkey.com/s/espiritismo_conversao à disposição de todos os que desejarem colaborar com ela, lembrando que a pesquisa é sobre conversão, portanto, só devem respondê-la as pessoas que se tornaram espíritas ao longo da vida, vindos de outra ou nenhuma religião. Muito obrigado a todos!


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