Longe de constituir-se uma doença, uma enfermidade ou um estado anormal, a adolescência é uma fase perfeitamente natural e compreensível na vida de cada indivíduo encarnado. É, sem dúvida, um importante momento para que se realize a Vontade Divina de colocá-lo na base da estruturação para o enfrentamento das situações-problemas que a vida física oferece, para, através do esforço intelectual e emocional, resolvê-las, e para desenvolver os seus potenciais no Bem, as virtudes imprescindíveis para o alcance da felicidade, intuitivamente acalentada no íntimo por todas as criaturas.

O adolescente é um Espírito imortal e preexistente, agindo no sentido de definir sua situação atual no mundo; de assumir a sua liberdade e o exercício de seu livre-arbítrio; de estabelecer o seu campo de ação na sociedade; de consolidar os laços afetivos com olhos na realidade, acordando do sonho necessário que acalentava-lhe a infância, enquanto descansava e se refazia como Espírito para o início de uma nova batalha evolutiva. Ao adolescente deve-se favorecer com a atenção, com o carinho, com o respeito, com a aceitação de sua realidade e situação.

Entretanto, entendamos que a adolescência é um meio, um a fazer, um caminho para alcançar o objetivo espiritual na presente encarnação; a autoconsciência de sua individualidade e a construção de sua individualidade no mundo.

Para tanto, é também imprescindível que se acompanhem os passos do adolescente, que se caminhe ao seu lado ajudando-o a trazer à tona sua capacidade de discernimento, confrontando as decisões com a conjuntura mundana moderna.

Por isso, a todos esses favorecimentos devidos ao adolescente descritos acima, devem-se associar as noções de disciplina, de hierarquia e de responsabilidade, sem as quais estará em desvantagem para enfrentar as relações sociais e as batalhas do cotidiano.

O adolescente, portanto, precisa de autodisciplina, de autoconfiança, independência e adaptabilidade, mas para esse encontro, que se faz lentamente, há que contar com a presença de seus pais ou responsáveis a lhe assegurarem estas condições, pela ação contínua e precisa, ponderada e de incentivo, amorosa e equilibrada, protecional e libertadora; soltando-lhe suavemente as mãos para que, à maneira de quando deu os seus primeiros passos materiais na infância, equilibre os seus passos na estrada da vida.

Liberdade com responsabilidade, confiança com prudência, ação com segurança, sentimento com razão!

Por: Francisco Cajazeiras

Retirado do Livro: Ideias para Jovens


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