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Domingo, 30 Junho 2019 09:55

A grande transição da terra com Denis Moreira

 



Denis Gleyce Pinto Moreira, ou simplesmente Denis Moreira, traz na bagagem um vasto currículo.

Formado em Direito pela Universidade Federal do Pará, aprovado em vários concursos, hoje é advogado da União na Categoria Especial.


É o atual coordenador geral do grupo de Integração da atuação judicial na defesa do meio ambiente e da regularização fundiária na Amazônia Legal - G. Amazônia, com ampla atuação no combate de ilícitos ambientais e fundiários em toda a Amazônia Legal.

É casado e tem dois filhos.Mas Denis ainda encontra tempo para se dedicar à pesquisa e ao estudo da Doutrina Espírita. Ex-voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida), atualmente trabalha, também voluntariamente, na ONG Sociedade Alternativa e no Grupo Amor e Caridade, além de ser o autor do blog Visão Espírita. 

Agora, Denis lança seu primeiro livro pela Lúmen Editorial: A Grande Transição da Terra - o sentido de urgência, obra de fôlego que traduz em suas páginas as características de sua personalidade: seriedade, compromisso com o semelhante e com Deus. Uma obra para ler, estudar e aprender.


Denis, por que escolheu o tema transição da Terra para fazer esse estudo?
Denis Moreira - Há muitos anos estudo tendências.

Há mais de uma década que montei uma vasta biblioteca multidisciplinar para entender as transformações que estão em curso. O auge de meus estudos multidisciplinares coincidiu com uma série de mensagens do plano espiritual tratando da transição planetária. Imediatamente percebi que as tendências que estudava se referiam a este grande período de transformações.

Percebi que as muitas informações do plano espiritual podiam ser comparadas, complementadas e confirmadas por várias áreas do conhecimento. Foi então que me propus a fazer o elo entre espiritualidade e ciência, integrando-os para melhor entender a realidade.

Por outro lado, no meio espírita o tema Grande Transição tem sido abordado com foco predominantemente espiritual. Ao trazer uma extensa coletânea de informações de outros saberes, penso que este livro permite ao leitor ter uma visão geral, mais profunda e mais realista do que está realmente acontecendo e das tendências de futuro, permitindo-lhe exercitar a tríade de ouro: refletir, preparar-se e agir.

Atualmente observamos diversas ideias e conceitos sobre o fim do mundo, calendário Maia, etc. Qual sua visão sobre o fim do mundo?
A Astronomia cogita que a Terra, enquanto corpo celeste, deve chegar ao seu "fim" daqui a cerca de 5 bilhões de anos, quando o Sol colapsar para tornar-se uma estrela anã branca, inviabilizando a vida no planeta. Parece-me tempo suficiente para não nos preocuparmos agora com o "fim".

O fim que prevejo é de nossos mundinhos ilusórios, centrados no orgulho e no egoísmo. Dedico um capítulo inteiro do livro para explicar isso. Na medida em que as várias crises convergentes atingirem seus ápices, entenderemos na prática o que significa interdependência de tudo e de todos.

Precisaremos sair de um modelo mental individual e materialista para um modelo mental coletivo, sustentável e espiritualizado. Em verdade, essa transição já está em curso. Por isso, vemos tantas pessoas sofrendo com o fim trágico de seus mundinhos.

A soma integrada e interdependente desses vários fatos e fenômenos revela um fim de ciclo e o início de outro. E é disso que fala o calendário Maia. Não de fim do mundo, mas de mudança de ciclo evolutivo, que no Espiritismo dá-se o nome de Grande Transição Planetária.

Como será a formação do planeta de regeneração que o Espiritismo apregoa em sua literatura?
A lei de progresso revela algo grandioso. Enquanto a teoria evolutiva de Darwin limita-se a explicar a evolução das espécies, a lei de progresso demonstra que tudo evolui: o universo, os planetas, as humanidades, os indivíduos, a espiritualidade.

É preciso, pois, situar a evolução da Terra neste contexto mais amplo. Portanto, essa transformação do planeta já começou há tempos e provavelmente precisará de muito tempo para se consolidar. O interessante, no entanto, é que já podemos experimentar um pouco desse mundo transformado aqui e agora.

Basta você acompanhar os projetos de um grande centro de pesquisa tecnológica como Massachusetts Institute of Technology - MIT (EUA) e entenderá que futuro nos espera, basta visitar cidades totalmente ecológicas como Masdar City (nos Emirados Árabes Unidos) que vai sentir superficialmente de que mundo falam os Espíritos Superiores. Mas estes ainda são arremedos do futuro, pontos isolados e incompletos do porvir. Há muito a ser conquistado e feito. E depende de nosso empenho, criatividade e mobilização. De qualquer forma, não chegaremos a um mundo regenerado em viagem de cruzeiro.

Toda transição exige uma travessia, do antes ao depois. E travessias têm seus riscos. Os longos anos de estudos demonstram de forma categórica e fundamentada que temos grandes riscos pela frente. Vários capítulos do livro cotejam, esmiúçam e esclarecem previsões espirituais, científicas e progressões de memória com o que está acontecendo e com as tendências de futuro.

Mais que isso, dedico capitulo inteiro para organizar didaticamente os vários graus de experiências que já estamos vivendo durante a grande transição. Quem o lê vai perceber o quão complexa é a realidade e o tamanho dos desafios à frente.

Uma parte da população mundial efetivamente irá reencarnar em outro planeta mais atrasado para impulsioná-lo em seu desenvolvimento?
Há muitos registros dessa migração coletiva na literatura espírita. E ela já está acontecendo.

É a lei da solidariedade universal, que viabiliza o intercâmbio de humanidades e o progresso recíproco. Muitos voltarão à matéria em mundos primitivos, equivalentes ao que já foi a própria Terra no início da história da humanidade. Mas é importante também pensar no contraponto da pergunta. Ou seja, muitos de nós voltaremos a reencarnar neste planeta.
Muitos de nós comporemos as próximas gerações.

Que planeta encontraremos? Como ninguém sabe aonde vai reencarnar, quem hoje não sofre diretamente e tampouco se importa com a crise sócio-ambiental, pode reingressar na matéria, daqui a décadas - por exemplo - em uma zona gravemente afetada por furacões, por secas, por enchentes, por ondas de calor ou por guerras civis causadas pela escassez de água e/ou alimentos. A indiferença é uma escolha nada inteligente, diria perigosa.

O que podemos fazer, individual e coletivamente, para ajudarmos na transformação da Terra para o bem?
Em singelo exercício da maiêutica socrática, vamos construir a resposta à sua relevante pergunta a partir de novos questionamentos: estamos transformando conhecimento espírita em práticas saudáveis?

Quantas horas de nosso dia são dedicadas para melhorar o mundo? Exercitamos a cidadania em sua plenitude, com o voto consciente, com o repúdio à corrupção, às leis, com o zelo ao bem público, com o respeito aos mais velhos, às crianças e aos socialmente vulneráveis?

Somos bons empregados e empregadores, profissionais que dão o melhor de si em favor daqueles que precisam de nossas habilidades, conhecimentos e serviços?

Nos conduzimos de forma pacífica no trânsito e em sociedade?

Evitamos o consumismo, o excesso e o desperdício?

Temos compromisso com a proteção do meio ambiente?

Somos apegados aos bens materiais, ao lucro, ao prazer hedonista, ainda que ao preço do sofrimento alheio? Somos capazes de renunciar a benefícios, de fazer sacrifícios pessoais em prol do próximo e da coletividade? Servimos rotineiramente ao próximo com trabalho voluntário? Usamos nossos talentos e criatividade apenas em benefício próprio ou em prol de um mundo melhor, mais justo e solidário?

Cultivamos o amor cristão dentro de nosso lar, de nossa família, exercitando o perdão, o amor desinteressado, a tolerância e a paciência? Somos instrumentos de paz ou de discórdia e desamor? Jesus fala que os mansos possuirão a Terra. Quantos mansos conhecemos?

O livro dedica-se a convencer o leitor que a transformação não virá com boas intenções. Virá com atitudes. Precisamos transformar conhecimento em prática, valores em ações. Precisamos promover uma mutação do modelo mental vigente. Sairmos do modelo mental individual e materialista para um modelo mental coletivo, sustentável, espiritualizado.

Em verdade, devemos acordar todos os dias com esta pergunta na mente e no coração. O que podemos fazer? Convém transformar cada dia em oportunidade de semear, posto que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. As pessoas de bem precisam substituir a apatia, a perplexidade e as boas intenções pela ação. Só assim avançaremos de forma mais serena e segura na construção de um planeta de regeneração.

 

FONTE:
http://visaoespirita.blogspot.com.br/2012/05/entrevista-grande-transicao-da-terra.html

Last modified on Domingo, 30 Junho 2019 09:55

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