fbpx
HomeInformativoArtigosO frio lá de fora
Domingo, 21 Janeiro 2018 02:08

O frio lá de fora

 



No frio intenso das horas, mais um dia de abandono é vivido. Pai e filho se abraçam em busca de calor da alma, única energia que lhe resta naquele canto de marquise. O prato vazio denuncia a fome e a ausência de pessoas nas ruas indica a distância da caridade, que poderia ajudá-los a superar a carência alimentar.

A uma rajada maior de vento, o filho, que se protegia com o pequeno e único cobertor que ali se achava, resolve cobrir o pai, que tiritava de frio.

 

Tocado pelo desprendimento do adolescente, o pai rasga o cobertor ao meio e devolve metade ao menino. Em meio à necessidade de se agasalhar, o garoto indaga por que o genitor agira dessa forma, ao que lhe foi respondido:
- Fiz assim porque, quando cresceres, poderás não ter um filho tão maravilhoso como eu te tenho agora, e na hora de sentires frio, já terás com que te cobrir.
A benevolência que mais toca o coração do homem sensível é aquela realizada pelos que vivem da caridade alheia. Dar um pedaço de pão a quem tem fome é um gesto fraterno, mas ver quem o recebeu dividindo a doação, em fatias menores ainda, com outros famintos, é comovedor.

Perguntamos a Deus, diante desse ato, até quando haverá no mundo mesas fartas e pratos vazios, estômagos saciados e outros carentes.

A imensa injustiça na distribuição desigual da renda é o efeito mais perverso da ambição desenfreada, uma das filhas do egoísmo.

O Brasil e o mundo ainda são marcados por essa cruel dicotomia. Poucos possuem muito, e muitos beiram à miséria socioeconômica por terem tão pouco.

No quadro espiritual das necessidades, nem sempre é simples perceber o estado deplorável da alma.

A fome do estômago grita alto, mas a ignorância age em silêncio, destruindo as estruturas da vida de relação.

O frio, que em uma realidade dói por fora, em outra, destrói por dentro.

Quantos seres que amamos ainda não conseguiram se desvencilhar da insegurança afetiva! Quantos se afeiçoam, fazem de tudo por submeter o outro através da desconfiança, de exigências, da exaustão. Por uma ótica distorcida, imaginam acontecimentos irreais e passam a vivê-los na imaginação.

Com o passar do tempo, se não procuram alterar o comportamento emocional, acabam abandonados. Engrossam, dessa forma, o número dos que sorriem galhardamente nas ocasiões festivas, mas gastam esforço maior para não deixar transparecer o frio interior.

As gavetas estão abarrotadas de blusas e paletós, guardados dos invernos anteriores. Não há espaço para novos, a não ser que o dono se desfaça dos que não usa mais, doando-os a quem precisa.

Os compartimentos gelados do coração, também pedem o agasalho do carinho, a se expressar em uma palavra afável, um sorriso generoso, pequeno gesto de ternura ou uma razoável concessão de tempo para se conversar.
O Espiritismo alerta que, se hoje podemos não viver nas faixas mais necessitadas da organização social, continuamos muito precisados de companheirismo e amizade, confiança e entrega a um novo tipo de relacionamento.

Nada disso se fará possível se não estivermos dispostos para tanto. Que nossa decisão não demore, porque seria muito triste vermos pessoas tendo que rasgar cobertores ao meio, diante de nossos olhos, para sobreviver.

Carlos Augusto Abranches Fonte: Reformador - outubro 1995

Last modified on Sábado, 27 Janeiro 2018 11:33

A vida de Chico Xavier

Cadastre no nosso informativo

Informativo

  • O que são espíritos agêneres?




    Fonte: Rádio Boa Nova 

    Você já ouviu falar em espíritos agêneres? O que a doutrina espírita fala sobre o assunto? Confira as considerações a seguir.

    Leia mais...
  • O tempo no plano espiritual




    Fonte:
    Letra espirita - Por: Juliana Procopio

    É muito comum em momentos de despedidas após o desenlace de um ente querido ou uma pessoa conhecida que esteve

    doente, por exemplo, ouvirmos as pessoas se referirem a quem partiu com a expressão, “em fim descansou”.

    Leia mais...
  • Raciocinar a fé para que a fé não raciocine por nós.

     




    Por:
    Wellington Balbo

    Quando Kardec codificou o Espiritismo, século 19, sua ideia passou bem longe de construir uma nova religião ou transformar seus livros numa espécie de bíblia com recheio de dogmas.

    Nada disso.

    Leia mais...
  • Espíritos de pessoas em Coma




    Por:
    Letra Espírita - Por: Isabel Miranda

    Como espíritas, aprendemos que cada encarnação se presta a acrescentar novos aprendizados, reparar erros do passado ou até mesmo cumprir missões importantíssimas ao avanço da humanidade.[1]

    Leia mais...
  • Orar é abrir a alma a Deus

     



    Por:
    Vania Mugnato de Vasconcelos - Imagem: Pixabay

    "E não duvideis de que um só desses pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai celestial do que as longas preces repetidas por hábitos". (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XXVII, Modo de Orar). O brasileiro é um povo eminentemente religioso.

    Leia mais...

Clube do Livro Emmanuel


Desde 2010 divulgando a Doutrina Espírita.


Clube do livro




Todo mês um livro novo em sua casa.
Clique aqui e cadastre-se.

Clube do livro

Conheça nosso clube do livro.

Receba todo mês um livro na sua casa.


Cadastre-se aqui para aproveitar.

Contato