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Quinta, 07 Mai 2020 08:55

Entrevista com Fátima Moura



Por:
Rita Ramos Cordeiro
A família deve ser um portal seguro, capaz de amparar a todos os seus membros, nos dias de glória e nos momentos de queda.” Fátima Moura

Fátima Regina Moura da Silva é escritora, jornalista, teatróloga, musicista, pedagoga, psicopedagoga e designer gráfica, tem 64 anos, é nascida e residente no Rio de Janeiro.
Fátima atualmente faz parte do MAP – Movimento do Amor ao Próximo, onde além de várias atividades é responsável pelas palestras/estudos e pelo Programa “Reflexões a Luz do Espiritismo”.
Fátima Moura tem publicado 41 livros espíritas e seu novo livro Alguém me viu aqui recentemente lançado pela Editora Letra Espírita faz parte do Clube do Livro Emmanuel no mês de maio
Conheça um pouco mais sobre Fátima Moura acompanhando sua entrevista concedida ao site do Instituto Chico Xavier.

1- Qual sua profissão e seu trabalho atual?
Resposta - Sempre gostei muito de estudar, pois acredito que o saber transforma vidas. Me formei em Comunicação, Jornalismo no ano de 1983, e um pouco mais tarde, quando comecei a publicar livros, resolvi me envolver com a educação para compreender um pouquinho mais desse amplo universo.

Estudei Pedagogia, psicopedagogia, Filosofia, Educação Artística e designer gráfico, além de teatro e música. Atualmente, além de escritora espírita, sou também professora de EAD no CEDERJ/UNIRIO e na UNOPAR nas disciplinas Filosofia, Artes e matérias pedagógicas desde o ano de 2010 e faço um trabalho freelance como designer gráfica não só em relação aos meus livros, mas também trabalhando para algumas Editoras espíritas e não espíritas, tendo assim, a oportunidade de dar vida ao sonho de outros autores.

2- É espírita há quanto tempo? Como entrou para a Doutrina Espírita?
Resposta - Tive a grande chance de renascer em um lar espírita e creio que essa foi e tem sido a minha grande oportunidade de melhora. Não sei o que seria de mim, sem o estudo e o conhecimento da Doutrina Espírita.

3- Qual a Casa Espírita que frequenta e que trabalho desenvolve?
Resposta - Frequentei diversas Casa Espíritas, Centro Espírita Bezerra de Menezes, Centro Espírita Nosso Lar, Casa de Agostinho, Centro Espírita Léon Denis (onde tudo começou, inclusive o trabalho de literatura). No momento, faço parte do MAP - Movimento de Amor ao Próximo onde, além de outras atividades, sou responsável pelas palestras/estudos de quartas-feiras e também pelo Programa “Reflexões à luz do Espiritismo”, que está sob minha responsabilidade todas as primeiras terças feiras de cada mês, pela página oficial da Casa no Facebook (MAP_oficial) e também pelo youtube (Webtv Map Org).

4- Faz parte de alguma Instituição ou realiza algum trabalho social? Nos conte um pouco sobre isso.
Resposta - O meu trabalho espírita hoje, está ligado ao MAP – Movimento de Amor ao Próximo onde participo com meu trabalho voluntário e também com a venda e divulgação de nossos livros. Mas, sempre que possível, participo de outros projetos, quando sou convidada a fazê-lo.

5- Nos conte um pouco sobre o MAP – Movimento de Amor ao Próximo.
Resposta - O MAP - "Movimento de Amor ao Próximo" é uma Sociedade Civil não Governamental, de natureza Filantrópica e Filosófica, sem fins lucrativos e que tem por objetivo o auxílio a membros de comunidades carentes, vedadas qualquer distinção de nacionalidade, raça, posição social, credo religioso ou ideologia política. Tem como missão ajudar pessoas em exclusão social; portadores de necessidades especiais; com dependência química (Alcoolismo e drogadição), adoentados do corpo, da mente e da alma, através de práticas religiosas espíritas (Palestras, Passes, Água Magnetizada, tratamento de Harmonização, Evangelização e Estudos), tratamentos Médicos, Fisioterápicos, Fitoterápicos, Psicológicos, projetos para a 3ª idade, Enxoval de Bebê, alfabetização de adultos, promovendo a inserção dessas pessoas nos Projetos de Promoção e Assistência Social do ser humano, dentro de uma Visão Integrativa, ou seja, através de uma visão Biopsicosocioespiritual, ou seja, do cuidado e ajuste do homem integral.

6- Quantos livros você escreveu e quais são?
Resposta - O Livro “Alguém me viu aqui”, lançado recentemente pela Editora LETRA ESPÍRITA é o meu quadragésimo primeiro livro. De volta aos braços Teus, Descobrindo um caminho, Estrelas são olhos de Deus, Uma aventura Diferente, Vencendo as Barreiras do Infinito, Criança quer Saber, O jovem quer Respostas, O pássaro falante e outras histórias, Minha escolha é viver, A Obsessão de Caleb, Minhas mães vivem em outro Mundo, Vida, eterna vida, Bezerra de Menezes, criança como eu, Eu sou assim, volume I, (SINDROME DE DOWN), Um dia, a gente cresce, Aidoso Ege trans la doloro (ESPERANTO), além de um CD Para pais e evangelizadores, são alguns dos títulos já publicados e ainda temos muitos livros para lançar, enquanto Deus assim o permitir.

7- Como iniciou seu trabalho de psicografia e como foi seu primeiro contato com os espíritos ligados ao livro espírita?
Resposta - Sou de uma família de médiuns, pais e quatro filhos, e aos doze anos de idade, com mediunidade muito ostensiva, comecei a adoecer fisicamente por conta dessas questões. Minha mãe me levou então, até o Centro Espírita Bezerra de Menezes, aqui no Rio de Janeiro, no bairro de Cascadura, pedindo a Dirigente que me aceitasse no grupo de desenvolvimento mediúnico. Como eu era muito jovem, ela permitiu que eu frequentasse as reuniões, mas não permitiu que eu me envolvesse com o trabalho mediúnico, mas, só pelo fato de estar na Casa Espírita, submetida a toda aquela disciplina que era imposta aos médiuns, já fui melhorando, sendo capaz de reconhecer qual era o trabalho que a espiritualidade desejava que eu fizesse. Desde 09 anos de idade eu já escrevia textos, breves romances e tanto eu quanto meus familiares, reconhecíamos neles, a mão do mundo espiritual. Mas, foi só aos quinze anos de idade, que comecei a psicografar realmente, primeiro com receituário, através de um médico e da homeopatia, depois, participando de reuniões de intercâmbio e escrevendo livros. Nos dizem os espíritos que me assistem, que o receituário foi o meu treinamento para o trabalho de Literatura que estava por vir.

8- Você é divulgadora do livro espírita há vários anos. Como você viu a aceitação do livro espírita ao longo destes anos?
Resposta – Iniciei a publicação de livros espíritas no ano de 1990, com o livro “Mamãe Sabe Tudo” e, em trinta anos de publicações, muitas coisas mudaram, felizmente para melhor. Quando comecei como escritora, éramos realmente muito poucos; Cléo de Albuquerque Mello, escrevendo para crianças, eu escrevendo para crianças e jovens, e alguns poucos escritores, onde destaco Roque Jacinto, Tio Elói, Wilma Stain, além dos livros Doutrinários e os do Pentateuco Kardequiano. Depois, devagar, ao longo do tempo, outros autores foram chegando e contribuindo de maneira muito significativa e favorável com esse trabalho de divulgação. Creio que o livro espírita é um canal extremamente oportuno para levar mensagens de paz e otimismo e também de esclarecimento acerca das verdades espirituais a adultos, jovens e crianças. O mercado editorial tem-se inovado a cada dia, contribuindo para que isso se faça de maneira satisfatória. Em nossos livros juvenis e infanto-juvenis buscamos falar com o jovem e a criança na linguagem entendida por eles e os resultados tem sido sempre amplamente satisfatórios.

9- Qual a importância do livro espírita nos dias atuais?
Resposta - Os livros, segundo o pensador Charles Eliot, são os mais silenciosos e constantes amigos, os mais acessíveis e sábios conselheiros, e os mais pacientes professores. Em se tratando das crianças, ouvir e vivenciar emoções através das histórias que lhe são contadas a ajudam a amadurecer mediante as diversas situações, e com o jovem não é diferente. Os heróis que criamos internamente sempre buscam um aprendizado e essa é uma resposta aos nossos apelos emocionais. Nos livros espíritas, onde esse aprendizado se dá através das virtudes morais, melhor se torna esse entendimento.

10- Como você acha que vai ser no futuro a divulgação do livro espírita diante desta crise que estamos vivendo?
Resposta – No Livro Obras Póstumas, Allan Kardec afirmou que o espiritismo seria o futuro das religiões e nós já podemos comprovar a veracidade dessa afirmação, ao ver que as pessoas estão sequiosas de novos conhecimentos acerca da vida e da morte. Com o livro espírita não será diferente. Nossos Livros Espíritas contemporâneos chegam aos leitores através de incríveis avanços tecnológicos, mas sem perder a qualidade de suas mensagens. Por mais modernidade com que possamos nos deparar, a mensagem do bem será sempre atuante. Cabe a cada um de nós, que acredita nessas mudanças, continuar divulgando o bem, entre as velhas e a futuras gerações. Como diz Emmanuel, no livro Doutrina e Vida, psicografia de Chico Xavier: “O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.”

Você tem vários livros voltado para jovens. Nos dias atuais há um grande aumento de depressão e suicídio nos jovens. A que você credita isso?
Resposta - Segundo a palavra educativa do mundo espiritual, a causa principal do suicídio é a ociosidade do espírito. A pessoa não vê objetivos na vida e nem se sente estimulada a buscar qualquer ocupação útil. Posso acrescentar que, no mundo atual, a questão do consumismo desregrado também tem afetado jovens de todas as classes sociais e idades. Valoriza-se o Ter e não o SER e os jovens e crianças ficam à mercê dessas colocações da mídia que acabam influenciando-os de maneira negativa. Só e feliz quem mora em tal lugar, usa roupas da marca tal, estuda na escola tal, gerando inadequação social e a tão falada depressão, que acredito também possa estar ligada a causas do passado. Esse materialismo excessivo, o orgulho, o desconhecimento de como funcionam a Justiça e a Misericórdia Divinas, a falta de religiosidade, o bullying, perdas afetivas, alcoolismo, uso de drogas, também são fatores preponderantes, sem esquecermos também de processos ligados a obsessão espiritual.

11- Estamos vivendo um momento de isolamento social onde os pais estão tendo a oportunidade de conviver mais com seus os filhos. Como você acha que deveria ser aproveitada esta vivência em família para o crescimento espiritual e mental dos jovens?
Resposta - Segundo o espírito Emmanuel, na Obra “O consolador”, “a melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino podem instruir mas só o Instituto da família pode educar. É por essa razão que a Universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.” Os pais geralmente tem suas atividades fora do lar, sem muito tempo para qualificar o tempo em família, fazendo com que muitos jovens e crianças tornem-se “órfãos entre quatro paredes”. Estamos sendo chamados a fazer novas descobertas e creio que uma boa e saudável convivência familiar é uma das grandes prioridades desse novo momento na escala do novo mundo de regeneração.

12- Seu mais recente lançamento “Alguém me viu aqui” que vai fazer parte do Clube do Livro Emmanuel no mês de maio, aborda os temas mediunidade e comunicação dos espíritos. Nos conte sobre este livro.
Resposta - Eu fui também uma jovem médium que vivenciou muitas emoções descontroladas até entender o que realmente precisava aprender através da mediunidade. A exposição, o medo do bullying, de pessoas mal intencionadas, muitas vezes me fizeram desejar não sentir nenhuma daquelas sensações, mas o chamado foi mais forte e a responsabilidade frente a missão falou mais alto, mas sei, que para muitas crianças e jovens, o exercício da mediunidade é ainda muito difícil; em meu caso, tive total apoio da minha família, que era também uma família de médiuns. Dentro das muitas lembranças de minha infância, eu me recordo de minha mãe nos dizendo: “Isso é um assunto nosso, não pode contar isso na escola, para que as outras crianças não riam de vocês” quando todos nós víamos algum espírito em nossa casa ou vivenciávamos algum fato ligado a mediunidade. Mesmo ainda entre os espíritas, a mediunidade é desconhecida, em relação aos seus objetivos. As pessoas tem interesse pelo assunto, através de séries sobrenaturais, de criaturas vampirescas, filmes de terror, mas não querem saber de estudá-la ou tudo o que está por trás dela. Muita vez pecamos em nossas evangelizações não orientando adequadamente os pais nem as crianças que já apresentam maior sensibilidade mediúnica. As pessoas ainda entendem a mediunidade como um espetáculo, através de consultas a videntes, magos, sensitivos que cobram por seus serviços, e todo o aparato grotesco que a mídia apresenta, mas sem a seriedade que o assunto envolve. É disso que trata o livro. O entendimento para o bom uso da mediunidade.

13- Neste momento de crise, pandemia e isolamento social que estamos vivendo, que palavras de conforto você poderia deixar para todos?
Resposta- Gostaria de deixar uma mensagem direcionada as famílias, como instituição cuidadora de seus membros e responsável pela transmissão de valores éticos e morais. As crianças e os jovens necessitam de atenção redobrada, de muito e amor e atenção. Eu rogo aos pais que, jamais deixem de oferecer a seus filhos uma orientação sadia e adequada às suas necessidades. Não usem só um bom discurso, sejam exemplo, amor, caridade, união. A família deve ser um portal seguro, capaz de amparar a todos os seus membros, nos dias de glória e nos momentos de queda. Estudem bastante. Aprofundem-se no universo infantil e juvenil, pesquisem, trabalhem e, sobretudo, orem com o coração, colocando essa disponibilidade nas mãos do Pai. Façamos do nosso lar um templo em família, orando e vigiando todos os dias.

14- Agradecemos sua disposição em nos conceder esta entrevista e pedimos que deixe suas últimas palavras para o leitor do Instituto Chico Xavier e do Clube do Livro Emmanuel.
Resposta - Estamos vivendo um momento de grandes e intensas reflexões. As pessoas estavam distanciadas de sentimentos nobres, do amor ao próximo, distanciadas até de si mesmas, dando prioridade ao poder, ao prazer, a gestos e atitudes menos felizes. Nesse momento de pausa para reflexão, acredito que a mensagem clara do Plano Espiritual se resume em exercitar as palavras do Cristo, tão esquecida ainda entre nós. Dentro dessa transição para um mundo de regeneração, a nossa reforma íntima se torna urgente, revertendo o nosso egoísmo em ações coletivas de amor ao próximo, e de um novo olhar sobre a desigualdades pela construção de um novo mundo, assumindo responsabilidades, novos valores, novos objetivos e sendo parte integrante dessa mudança. Nesses tempos de tanto aprendizado, a Literatura nunca foi tão necessária; nunca estará realmente isolado, realmente sozinho, quem busca o conhecimento, a Arte, a boa música, a companhia da leitura, pois é através de um bom livro, que a espiritualidade também faz chegar até nós as suas verdades. Paz e bem!

 

Last modified on Quinta, 07 Mai 2020 08:58