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Sábado, 16 Mai 2020 06:42

Determinismo e livre-arbítrio


Fonte: Letra Espírita 
Por: Rafael Fernandes

O livre-arbítrio é dado ao homem por Deus com o objetivo que viva plenamente o bem, com autonomia e responsabilidade pelos seus atos” (Santo Agostinho).

Determinismo, Livre-arbítrio e o Espiritismo estão unidos por laços estreitos, visto que um oferece ao outro o que lhe falta a mais, isto é, o elemento da sabedoria, de justiça, o direito de ir e vir, de ponderação, da racionalidade e a consciência moral sem o qual a criatura humana corre o risco de permanecer inoperante ou de mergulhar na escuridão da libertinagem.

É importante definir bem os termos que empregamos. Para nós, o Livre-arbítrio ou livre-alvedrio são expressões que denotam as decisões livres dada por Deus ao homem. É a doutrina filosófica que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. O Determinismo é uma doutrina filosófica segundo a qual os acontecimentos têm uma causa, onde sempre que a causa acontece necessariamente gera um efeito.

Tomando a instrução que os espíritos nos traz para a nossa reflexão, no capítulo XVII no Evangelho Segundo o Espiritismo, “O nosso dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; termina no limite que não gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos”. Exercemos a nossa liberdade em função do outro, pois só em sociedade podemos ser humanos e exercitar o nosso livre-arbítrio, que é o aguilhão da consciência moral.

Quando reencarnamos alguns de nós não têm o direito de muitas escolhas, e/ou estando estes até mesmo fadados à reencarnação compulsória, outros já têm esse direito na escolha do gênero de provas dado ao seu grau de adiantamento moral e espiritual. Mas não somos livres de escolher tudo o que nos acontece em todos os detalhes, somos livres para escolher a responder à diversas situações aos quais seremos submetidos com diferentes tipos de ações. Passamos a ser, dessa maneira, ao mesmo tempo, juiz e escravo em nossa própria causa. “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos” (Provérbios, 16:9).

Para todo fenômeno há uma causa, assim como para toda causa tem um efeito diretamente ligado. Como tal, os acontecimentos ou fenômenos podem ser explicados racionalmente de acordo com as leis divinas perfeitamente definidas, sendo possível prever as consequências futuras. Por esse motivo que as escolhas de nossas ações implicam no futuro que teremos, tanto nesta vida como no retorno à pátria espiritual.

O homem é como uma planta que se desenvolve naturalmente até o limite que lhe corresponde, em virtude das leis universais. Através do progresso se caminha em direção de um estado cada vez mais de acordo com a justiça e a razão, distinguindo o homem do animal, e ao mesmo tempo que o impede de agir adrede e de maneira inconsequente.

Pode implicar que uma divindade onipotente não imponha seu poder sobre a vontade e as escolhas individuais, mas é através de suas leis que se realiza a maior soma de ordem nos seios das sociedades, até que chegue em um ponto mais próximo da perfeição e harmonia.

Deus criou todas as criaturas iguais para sofrerem pelas mesmas causas que nos tornarão seres melhores, a partir do momento em que cumprimos com o nosso dever em sociedade tendo o amor e a empatia como constituintes da mais perfeita fórmula que nos levará a etapas superiores da humanidade. Onde o auxílio ao próximo é o melhor investimento, pois estaremos amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Referências

1. Bíblia Sagrada, Antigo Testamento, Provérbios 16:9.

2. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, O Dever, Cap. XVII.

3. O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Livro II, Escolha das Provas, Capítulo VI.