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Sábado, 30 Mai 2020 10:30

Espíritos da Natureza




Fonte:
Euripedes Kühl
Por: Euripedes Kühl

Consta das tradições mais antigas que, diante dos fenômenos da Natureza, principalmente os que causavam danos (devastação e mortes coletivas, quase sempre), o homem imaginou, como a única forma de se defender, demonstrar submissão irrestrita aos responsáveis invisíveis (considerados “seres da Natureza”).

Vem daí, diante de praticamente todos os acontecimentos naturais, a criação de deuses, bons e maus, poderosos, todos. Inaugurando de forma rústica a prece, as tribos imploravam proteção a tais divindades, com demonstrações, ora de medo e respeito, ora de amor, não raro com sacrifícios de animais e até de humanos.

O numero desses seres da natureza, no caminhar incessante do progresso, multiplicou-se folcloricamente quase que ao infinito, segundo as várias crenças/religiões, sendo impraticável citar todos, apenas num artigo.

Cito alguns, dos mais conhecidos, com seus comportamentos:
● duendes: entidades fantásticas das lendas bretãs, brincalhonas, amigáveis, com capacidade de atravessar paredes, teletransportar objetos e pessoas, dotados de alta velocidade;
● gnomos: representados como pequenos humanoides, vivendo sob a terra, em minas ou em ocos de troncos de árvores, onde guardam seus tesouros;
● fadas: cuidam das flores e dos frutos, ligados à terra;
● elfos: gênios do folclore escandinavo, sensíveis, de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos de curar pessoas, eram divindades maiores da natureza e da fertilidade;
● ninfas, ondinas, sereias: vivem em rios, ou lagos, ou mares.

Esse imaginário místico e folclórico (aqui com registro sintético de suas peculiaridades), sofreu inflexão[1] quando foi substituído pelas reflexões dos sábios da Antiguidade, na Grécia Antiga, na China, na Índia, e outros que, estudando as tradições relativas à origem e formação do mundo, deduziram haver regência de quatro elementos naturais, essenciais à vida humana no planeta Terra:

● Fogo: estado de plasma, regente do Reino Mineral, do Verão e da Lua Nova;
● Terra: estado sólido, regente do Reino Vegetal, da Primavera e da Lua Crescente;
● Ar: estado gasoso, regente do Reino Animal, do Outono e da Lua Minguante;
● Água: estado líquido, regente do Reino Humano, do Inverno e da Lua Cheia.

Em nova inflexão, indo dos sábios da Antiguidade ao século XIX, faço parada junto à monumental obra de ensinamentos e premissas doutrinárias/cristãs, de Espíritos sábios e protetores que, por delegação do Excelso Mestre Jesus, fizeram aportar na Terra o Espiritismo.

Para organizar e metodizar tal aporte, sublime, contendo incontáveis ensinamentos, trazidos por Espíritos superiores, foi delegada a respectiva codificação a um influente educador, autor e tradutor francês, culto membro das sociedades científicas francesas: Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869) que, para tanto, adotou o pseudônimo de Allan Kardec e escreveu vários livros, com o que diferenciou suas obras pedagógicas desse novo abençoado projeto.

O primeiro livro de Allan Kardec, sobre a Codificação espírita é ”O Livro dos Espíritos” (“O LE”) e contém: os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as Leis Morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade.

Em “O LE” há capítulo específico sobre os fenômenos da natureza. Com todo respeito às crenças e tradições esclarece[2]: ():
- questão nº 536:
- tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus;
- na maioria dos casos, tais acontecimentos têm por único motivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza;
- os Espíritos que exercem ação sobre a matéria são os agentes da vontade de Deus, existentes em todos os graus da escala dos mundos.
- questão nº 537:
- os Espíritos que presidem os fenômenos geológicos não habitam positivamente a Terra. Presidem aos fenômenos e os dirigem de acordo com as atribuições que têm;
- dia virá em que recebereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.
- questão nº 538:
- os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza foram, ou serão encarnados como nós.
- questão nº 539:
- tempestades, por exemplo, são produzidas por massas inumeráveis de Espíritos.
- questão nº 540:
- alguns Espíritos (nem todos) que exercem ação nos fenômenos da Natureza usam do livre-arbítrio e operam com conhecimento de causa.

Nota: Ás questões 737 a 741, ainda de “O LE”, em paralelo ao tema dos fenômenos na Natureza, estão registradas as respostas dos Espíritos superiores sobre o motivo dos “Flagelos destruidores”, invariavelmente alicerçadas no Amor de Deus pela Humanidade, contendo ensinamentos utilíssimos sobre as Leis Divinas de Justiça e de Progresso.

Em complemento aos ensinamentos da Codificação do Espiritismo, dou outro salto cronológico, para extrair mais apontamentos sobre o tema tratado neste artigo, contidos na série “A vida no mundo espiritual”. Refiro-me à maravilhosa obra de autoria espiritual de André Luiz, psicografia de Francisco C.Xavier (em todos os 13 livros) e do Dr. Waldo Vieira (em alguns), todos com edição da FEB (Federação Espírita Brasileira):

a. Livro “Nosso Lar”: no cap. 50, p. 279, 48ªEd., 1.998, Narcisa (Espírito protetor em “Nosso Lar”) atende solicitação de André Luiz, para atender Ernesto, encarnado, atual marido de sua viúva... Narcisa conduz André à Natureza e diz que colherá remédio das árvores, enormes frondes; a seguir chama alguém e atendem-na oito entidades espirituais, servidores comuns do reino vegetal que informam onde havia mangueiras e eucaliptos, das quais a Mensageira colheu e manipulou emanações que, aplicadas ao enfermo, proporcionaram-lhe melhoras sensíveis;

b. Livro “Os Mensageiros”, cap. 41, p. 216, 9ªEd., 1975, o Espírito Aniceto, Instrutor espiritual em “Nosso Lar”, e André, chegam à noite numa propriedade rural, com incontáveis árvores frutíferas, em ambiente de paz! Ali estava grande quantidade de trabalhadores espirituais, servidores que cooperam com o reino vegetal. O Instrutor presta inédita informação: “existem irmãos que se preparam para o mérito de nova encarnação no mundo, prestando serviço aos reinos inferiores;

c. Livro “Libertação”, cap. IV, p.60, 6ªEd., 1974, Instrutor espiritual Gúbio conduz André a uma “Cidade estranha”, onde havia extensa comunidade de sofredores. O Instrutor esclarece: “Quem não cumpre aqui dolorosa penitência regenerativa, pode ser considerado inteligência sub-humana. Milhares de criaturas, utilizadas nos serviços mais rudes da natureza, movimentam-se neste sítio em posição infraterrestre;

d. Livro “Evolução em dois Mundos”, 1ª Parte, cap. XVII, p. 134, 11ªEd., 1989, consta que na fase primária da mediunidade, durante o sono, no repouso físico os médiuns, em corpo espiritual, retornam aos objetos que lhes tomam o interesse: o lavrador, por exemplo, retorna ao campo em que semeia, entrando em contacto com as entidades que amparam a Natureza.

Apenas essas breves notas, na minha opinião, dissipam racionalmente quaisquer vestígios de deuses, ou outros autores, para os acontecimentos naturais, ou “sobrenaturais”, e também, principalmente, substituem a noção de “Espíritos da Natureza” por: Espíritos que servem, cuidam e cooperam com a Natureza.

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